terça-feira, agosto 19, 2008

Sentidos

A sensação de caminhar dissimuladamente calma e lenta até você, fingindo-me madura e segura de mim, é como uma dor delgada que termina em ponta aguda.

Num esforço excessivo, ofereço um jeito assim, meio displicente, ao desejar-lhe bom dia.
Aparentemente equilibrada e, de certa forma, desdenhosa.

Ah… mas se pudesse me ver por dentro…

Uma voz suave lhe fala aos ouvidos seus desejos mais secretos, assim como uma melodia sussurrada no saxofone, soprando sensualidade em um tom apaixonado, sem limites morais.

O sangue me sobe à cabeça, deslizando pelas veias, avançando acelerado, aquecendo todo o meu corpo.
O coração galopa em disparada à medida que vencemos a distância entre nós.

Aflitiva, a respiração falta-me; mal sei se chegarei até você.
Inadmissível, seu olhar me despe da gélida couraça, quebrando-me em pedaços.

Fogo… faz-me arder dos pés à cabeça, exceto pelo estômago, que gela.

Quanto de ti me perpassa o pensamento na fração de segundos em que nossos olhares se cruzam e os corpos quase se tocam…
Sigo empurrada por força magnética; você, por condução elétrica.

Exalando-se em esfera estimulante, correm-me pulsões atômicas.
Seguem-se explosões nervosas,
Sentidos latentes,
Sintomas pungentes,
Viagens lancinantes,
Mescladas de prazer,
Acompanhadas de volúpia.

Mergulho impiedoso,
Deixa o corpo à revelia,
Às transparências levianas,
Às delícias da libido,
Aos desejos da lascívia.

Abandonado ao teu comando,
Quimera ilícita de domínio e rendição.