Rei no topo.
Base do baralho.
Dama no rei.
Valete na dama.
Figuras em jogo.
Cartadas futuras.
Sorte em apostas.
O jogo, com o tempo, deslancha — ou se estagna.
Vitória prevista: impulso para uma nova rodada.
Perda prostrada: ânimo para recomeçar.
O jogo é pra valer, um desafio entre naipes.
Espadas se cruzam, paus em posição, copas prestes a agir, ouros no desfecho.
Cartas na mesa.
Reserva no canto à direita.
Tablado disposto.
Solto as cartas, me entrego ao jogo.
Nesta corrente, me embaralho, me desmantelo, me despedaço.
O coringa não entra. Não neste jogo.
O bobo da corte está nulo.
Paciência, paciência — distraio-me do medo, da angústia e da dor.
Porque o jogo nunca acaba — não sou eu quem o joga, mas ele quem me joga.
Me move da esquerda para a direita, da direita para a esquerda,
de cima para baixo, de baixo para cima, num vai e vem, num zigue-zague.
Me substitui, me posiciona, me aproveita, me descarta.
Vitórias atrás de vitórias, derrotas atrás de derrotas, e estou desgastada, como uma carta velha, apagada.
Mas isso o jogo não entende.
Não entende.
Segue o jogo, até que escolho me posicionar e me torno carta fora do baralho.