sexta-feira, abril 22, 2011

Verão

Do verão faz- me beber
Deste sol faz- me sofrer

Sofrer
Deter
Reter

Dos dias tórridos de domingo
Das tardes tão estúpidas
Limonadas geladas

Estreito os olhos para engolir o horizonte
Está tudo tão claro, meus olhos não veem
Meu Deus, que balburdia, que fizeram?

Respiro
Degelo
Em meus sonhos, um naufrago

Eu permito
Permeio
Delineio por sobre a superfície espessa e macia do tapete

Rolo
Revolvo a terra com meu corpo
Verme a se esbaldar, dançar, nutrir

Música
Serpente esquiva
Cresce e queima

Paro. Decido.
Não irei mais comer
Não irei mais beber

Paro. Penso. Pondero.
Não quero mais prosseguir
Afrouxo minhas mãos agarradas as suas e as deixo cair soltas no ar, até que se deitem suavemente em despedida sobre um perfil embaçado de quem aos poucos se afasta e perde devagar o foco.

As portas se abrem
Ventania, invasão
Desfalece em esquecimento

Deixe tocar até o final esta canção, deixe rolar até o final esta versão
Deixe morrer esta composição
Deixe-a ser, pois não há de ser nada.

quarta-feira, abril 06, 2011

A seriedade que não sou

Saudades das aventuras da infância
Da espontaneidade adolescente

Eu que nunca fui fiel escudeira das regras
Nem nunca estive a par dos métodos

O sistema foi aos poucos apagando a luz e
Com os sopros das velas dos aniversários,
Foi se extinguindo as chamas do meu coração

Foi então que comecei a morrer,
A sumir,
A deixar e
Hoje no espelho reflete a seriedade que não sou

Não sou séria
Tampouco levo a sério este mundo
Nem me importo com o que a vida reserva

No fundo sabemos o que será,
Não é mágica, é óbvio
É previsível e está tudo dentro dos esquemas do sistema

Mas eu finjo que espero
Finjo que não sei e que aceito
Me calo, abaixo a cabeça e engulo

E como todos, entro na fila para lugar nenhum.