sábado, maio 24, 2025
Trigo d’alma
sexta-feira, maio 23, 2025
Tudo Só Ei de Ser Eu
Tudo só ei de
ser eu.
Band-Aid Afetivo
O desespero pelo outro carrega, em si, o desprezo por si mesmo — espíritos aleijados à procura de muletas.
Não se busca afeto verdadeiro, mas apenas fantasias projetivas da carência de si.
Temos, então, o Band-Aid afetivo: um mero curativo descartável para feridas que nunca cicatrizam.
quinta-feira, maio 22, 2025
Epopeia cotidiana
quarta-feira, maio 21, 2025
Fernando Pessoa
terça-feira, maio 20, 2025
Colapso da viga mestra
E esses
grilhões de elos duros? Falta-me o olhar que encontre ferramentas para
removê-los. Onde se esconde o impulso do ato? Persiste a inutilidade das coisas
que me açoitam a mente como vento em redemoinho, o cansaço do braço que se
estende além dos limites e quase alcança — mas quase... — e então deixa cair,
despedaçando aquilo que tanto se almeja.
Pudera eu
deixar cair e despedaçar-me em rendição, simplesmente entregar-me, deixar-me
levar, confiar, remover de uma vez a viga mestra — estaca cravada, firme na
terra — e deixá-la mover-se como um bambu que verga no vento.
Ai, se eu me
permitisse curvar ao chão para arrancar esta erva, extrair-lhe todo o corpo, do
caule à raiz, e mastigar mais uma vez o amargo das folhas que por anos
temperaram o chá.
O tempo
permeia o traçado do relógio, gira ininterrupto, constante, no agora — e essa é
a última hora antes do próximo badalar. Aproxima-se o último trem, que reduz
vagarosamente sua marcha, aproximando-me do embarque. Temo deixá-lo passar. Os
pés não se movem, nem os joelhos se dobram; estão fixos na estação, presos na
fronteira. O corpo se congela na iminência.
O pedido de
socorro não verbalizado, engolido na fraqueza da força, não irrompe feito
trovão. Quão espessas são as paredes dessa represa? O colapso da estrutura
imóvel é certo diante de uma força superior, que pousa sobre os ombros rijos
suas mãos — leves e pesadas — empurrando-os para adiante, puxando-os para si,
em um abraço de força desconhecida.