Venho
caminhando em silêncio.
Nos pés — desconforto.
Sinto meu peso.
Meu corpo, desajeitado,
parece não caber na própria marcha.
Minha sombra
cresce —
ao meio-dia da consciência.
O sol toca o zênite,
e tudo o que sou se projeta no chão.
Dos poros,
vaza um suor frio.
Premonição
da aproximação.
Incerteza.
É chegada a
hora:
diante dela, não recuar.
Permanecer.
Onde apoiar
os pés para atravessar?
Confiarei.
Há de se sustentar
o meu peso,
até que se cumpra o tempo de ir.
E o que de
mim surgir adiante,
que venha.
Não temerei a forma do que serei.
Tudo só ei de
ser eu.