sexta-feira, maio 23, 2025

Tudo Só Ei de Ser Eu

Venho caminhando em silêncio.
Nos pés — desconforto.
Sinto meu peso.
Meu corpo, desajeitado,
parece não caber na própria marcha.

Minha sombra cresce —
ao meio-dia da consciência.
O sol toca o zênite,
e tudo o que sou se projeta no chão.

Dos poros, vaza um suor frio.
Premonição
da aproximação.
Incerteza.

É chegada a hora:
diante dela, não recuar.
Permanecer.

Onde apoiar os pés para atravessar?
Confiarei.
Há de se sustentar
o meu peso,
até que se cumpra o tempo de ir.

E o que de mim surgir adiante,
que venha.
Não temerei a forma do que serei.

Tudo só ei de ser eu.