quarta-feira, dezembro 31, 2025
Usuários
terça-feira, dezembro 30, 2025
Barqueiro
segunda-feira, dezembro 29, 2025
Nuvens passageiras
domingo, dezembro 28, 2025
Chão da Vida
Certo dia, eu e meu primo decidimos dar nome às formas que víamos refletidas nas nuvens. Apontávamos cavalos, elefantes, macacos, martelos, rostos, carros, dando sentido e resposta ao que não pedia resposta. Mais tarde, passamos a nos questionar sobre as nuvens no céu: como se formavam, como se precipitavam em chuva, o porquê de suas cores variadas.
Nossas mentes voaram longe com as nuvens que almejávamos decifrar. Os pensamentos eram pipas dançando no vento, pedindo linha e mais linha, subindo cada vez mais alto.
Alcei voos tão altos que quase não conseguia mais descer das alturas de onde falam os símbolos e as buscas. Meu corpo permanecia deitado no chão, enquanto minha mente subia ao céu em direção ao espaço sideral.
Estrelas, astros e corpos celestes me convocaram acima do solo onde jaziam meus semelhantes, tripulantes desta nave Terra. Minha nave orbitou espaços distantes, mundos estrangeiros, mistérios insondáveis, enquanto meu corpo permanecia em terra, esperando o pouso.
Esperei até que se esgotassem os limites do explorável. Deixei minha mente voar até encontrar os sentidos que a fizessem retornar para casa. Quando voltei, senti-me deslocada, como alguém que, após longa ausência, experimenta o desnorteio do pouso: os pés inseguros, como se tivessem esquecido a sensação do corpo no chão.
Assim se desenhou a trajetória de uma nave, de um navio que navegou o coletivo de todas as coisas alienígenas e nativas que nos situam na humanidade e para além dela. Voltar ao estado de origem revelou-se também uma jornada distante para dentro de mim.
A mente escapou, mas agora quer voltar. E o corpo, tudo o que ele pede é presença. Depois de ver o céu, a vida pede chão.
sábado, dezembro 27, 2025
Gato Limiar
sem se perder.
sexta-feira, dezembro 26, 2025
Compasso interior
quinta-feira, dezembro 25, 2025
O Cristo que me habita
quarta-feira, dezembro 24, 2025
Palitos Gina
Palitos são o que há de mais essencial em celebrações.
terça-feira, dezembro 23, 2025
Manifesto íntimo do olhar
segunda-feira, dezembro 22, 2025
Inanimado
domingo, dezembro 21, 2025
Cronos
sábado, dezembro 20, 2025
Caminhe até Ele
A maior conexão com Deus, ou com a ideia do transcendente, não se dá confiando em uma ajuda externa superior, mas contando consigo mesmo. Sustentar-se é aproximar-se. Quando se espera, se distancia.
Para isso é preciso crescer,
deixar a infância, soltar o papel da criança que aguarda pelo pai, chorando por
salvação. Não espere que Ele venha; caminhe até Ele.
O transcendente não é alcançado
pela dependência, mas pela autonomia. Isso não nos enfraquece; nos fortalece.
Experimente não implorar que Ele
realize seus desejos, mas adquirir força para atingir o que for possível e
desenvolver discernimento para enxergar o melhor caminho. O maior presente não
é aquele que se ganha, mas a presença que se mantém no presente.
sexta-feira, dezembro 19, 2025
Suspensão
Ao fim da tarde, uma sensação de cansaço repentino pousou sobre mim. Não era desânimo, tristeza ou desesperança, nada que pudesse ser nomeado ou diagnosticado.
O rosto miúdo, pousado sobre as mãos em concha em busca de
sossego, reflete uma exaustão interna de tudo o que se foi e agora retorna
lentamente para dentro.
O efeito anestésico cessou. Restou um reconhecimento ainda
confuso entre vislumbre e desorientação, como um braço que acorda formigando,
incapaz de se mover. Fico à soleira, pés ainda descalços, reconhecendo o chão
antes de atravessar.
Nem tudo o que vejo precisa ser dito; às vezes, só preciso
repousar. Sustentar a percepção num corpo sem chão, avançando sobre um novo
espaço.
Suspensão: após espalhar fragmentos meus porta afora, como
um espirro do espírito a expulsar algo que irrita as vias do respiro, partes
minhas que considerei ameaça agora batem à porta, querendo retornar à casa.
Muitos deles calei, tapei-lhes a boca num impulso de medo do
que poderiam dizer. Outros feri ao fingir que não existiam. Quebrei-os,
caminhei sobre seus cacos, feri os pés. Juntos sangramos, como se a indiferença
não deixasse cicatrizes.
Eu, que também existo, desejo ouvir, dialogar, receber,
reconhecê-los como parentes distantes que retornam após longa ausência,
trazendo histórias e aventuras remotas, incendiando-me o coração com
curiosidades diversas.
quinta-feira, dezembro 18, 2025
Mapa Invisível
quarta-feira, dezembro 17, 2025
Sol nascente
terça-feira, dezembro 16, 2025
Orbe interior
segunda-feira, dezembro 15, 2025
Lei da conservação da vida
domingo, dezembro 14, 2025
Dramaturgia narcísica
sábado, dezembro 13, 2025
Alma marítima
sexta-feira, dezembro 12, 2025
Coboio fantasma
quinta-feira, dezembro 11, 2025
Primavera das vivências
quarta-feira, dezembro 10, 2025
Sublimação
terça-feira, dezembro 09, 2025
Arcano número zero
Afinal, mudei-me de casa. Arcano número zero.
segunda-feira, dezembro 08, 2025
O som do Tao
domingo, dezembro 07, 2025
Batismo da Alma
sábado, dezembro 06, 2025
Poética subterrânea
sexta-feira, dezembro 05, 2025
Pescador de almas
quinta-feira, dezembro 04, 2025
Campo Sem Caça
quarta-feira, dezembro 03, 2025
O cortejo do homem inferior à alma
O homem se
aproxima.