sábado, maio 31, 2025
Banquete das Forças Ocultas
sexta-feira, maio 30, 2025
Vídeo game da vida
No videogame da vida, nada se move porque você não se move.
Temendo mover-se e errar, erra-se na estagnação.
Se olhar para o outro como parceiro de jogo, e não como mero adversário, por
meio das narrativas impostas aos players, começamos a nos mover adiante — e não
em círculos.
Seguindo fielmente o script do jogo, tornamo-nos NPCs: jogadores não jogáveis,
sem protagonismo sobre a própria vida.
Sim, fomos programados, somos programáveis, bonecos coadjuvantes; mas, diante
disso, não pare de jogar.
Jogue, permaneça no jogo, mas aprimore-se e mova-se em direção a novas fases.
O simulacro é inevitável, mas crie, neste jogo criado, suas próprias
experiências e aprendizados.
O que puder ser de si, seja. Solte, o quanto puder, o espelho coletivo de ações
e reações.
Não é se isolar do todo, mas se unir a ele a partir de si mesmo.
O coletivo que se dispõe à união genuína — e não à mera massa de manobra — é
poderoso, e quem detém o poder está ciente disso, programando o sistema a fim
de manter o jogo sob controle.
A identidade é um muro invisível de controle sobre aquilo que não tem forma nem
se pode moldar.
Tire os dedos dos botões que te definem e conduza a si mesmo neste jogo.
quinta-feira, maio 29, 2025
Diante do inevitável
quarta-feira, maio 28, 2025
Saberes à Prova de Fogo
terça-feira, maio 27, 2025
A mordida do transcendente
segunda-feira, maio 26, 2025
Dom da quietude
O poço
domingo, maio 25, 2025
Silêncio Intrauterino
Quando me recolho ao escuro, no silêncio intrauterino da gestação de mim mesma, sinto-me abafada pela angústia — diante do mundo que, lá fora, me aguarda — não de braços abertos.
Prestes a me soterrar, a umidade e
o calor desse forno criatório me cozinham por dentro — somos todos almas
paridas nesta vida de lida, assadas lentamente no ventre da existência.
As vozes... de quem são as vozes
que ouço a tratar-me como mercadoria? Ora, se não são elas as mesmas que, de
mim, ouço emanar.
sábado, maio 24, 2025
Ler e Ser Lida
Trigo d’alma
sexta-feira, maio 23, 2025
Tudo Só Ei de Ser Eu
Tudo só ei de
ser eu.
Band-Aid Afetivo
O desespero pelo outro carrega, em si, o desprezo por si mesmo — espíritos aleijados à procura de muletas.
Não se busca afeto verdadeiro, mas apenas fantasias projetivas da carência de si.
Temos, então, o Band-Aid afetivo: um mero curativo descartável para feridas que nunca cicatrizam.
quinta-feira, maio 22, 2025
Epopeia cotidiana
quarta-feira, maio 21, 2025
Fernando Pessoa
terça-feira, maio 20, 2025
Colapso da viga mestra
E esses
grilhões de elos duros? Falta-me o olhar que encontre ferramentas para
removê-los. Onde se esconde o impulso do ato? Persiste a inutilidade das coisas
que me açoitam a mente como vento em redemoinho, o cansaço do braço que se
estende além dos limites e quase alcança — mas quase... — e então deixa cair,
despedaçando aquilo que tanto se almeja.
Pudera eu
deixar cair e despedaçar-me em rendição, simplesmente entregar-me, deixar-me
levar, confiar, remover de uma vez a viga mestra — estaca cravada, firme na
terra — e deixá-la mover-se como um bambu que verga no vento.
Ai, se eu me
permitisse curvar ao chão para arrancar esta erva, extrair-lhe todo o corpo, do
caule à raiz, e mastigar mais uma vez o amargo das folhas que por anos
temperaram o chá.
O tempo
permeia o traçado do relógio, gira ininterrupto, constante, no agora — e essa é
a última hora antes do próximo badalar. Aproxima-se o último trem, que reduz
vagarosamente sua marcha, aproximando-me do embarque. Temo deixá-lo passar. Os
pés não se movem, nem os joelhos se dobram; estão fixos na estação, presos na
fronteira. O corpo se congela na iminência.
O pedido de
socorro não verbalizado, engolido na fraqueza da força, não irrompe feito
trovão. Quão espessas são as paredes dessa represa? O colapso da estrutura
imóvel é certo diante de uma força superior, que pousa sobre os ombros rijos
suas mãos — leves e pesadas — empurrando-os para adiante, puxando-os para si,
em um abraço de força desconhecida.
segunda-feira, maio 19, 2025
Escritor agiota
domingo, maio 18, 2025
Oração da transmutação
Permaneço para transmutar.
sexta-feira, maio 16, 2025
Navegação com o I Ching
quarta-feira, maio 14, 2025
Solo antigo
terça-feira, maio 13, 2025
Quem de mim sou eu mesma?
domingo, maio 11, 2025
Na Cauda do Tigre
Não há bússola, nem constelações visíveis. Nenhum mapa pode guiar por esse
espaço de dentro. Aqui, é preciso render-se a uma força invisível, ancestral e
implacável — uma presença silenciosa e insondável que me conduz.
Em prece muda, invoco um poder
psíquico do fundo do poço interior — e ele vem: uma sombra indivisa em mil
fragmentos. Era um campo minado, cuja travessia exigia cuidado e respeito, como
a marcha de um soldado em formação, num ritmo sincronizado e coeso.
Aqui, aconselha-se agir com
cautela, como quem pisa na cauda de um tigre. A prudência é a única armadura
possível diante dos titãs, para não ser engolida de uma vez pela própria fera
ou perder-se no oceano abissal do inconsciente.
O poder interior suplanta o exterior; o núcleo se sobrepõe à superfície; o inconsciente supera o consciente — um vilarejo não pode guerrear com um império.
A mim cabe a reverência ao fogo sagrado da criação, onde qualquer faísca pode
ser o gatilho que inflama a chama e se alastra pela plantação.
sexta-feira, maio 09, 2025
Penumbra
Sob memória
Os que escolheram o esquecimento,
que se reconheceram na trama geral,
abraçaram seu papel além do campo de guerra,
além do céu e da terra.
Permanecem firmes no posto inalcançável à memória,
livres do peso das lembranças corrompidas.
quarta-feira, maio 07, 2025
Inteligência
Não se deve confundir raciocínio
lógico com inteligência. O primeiro está na superfície, enquanto o segundo
demanda profundidade. Inteligência vai muito além de conhecimento acumulado,
aplicação de fórmulas, leitura de mapas e manuais. Ela provém de um saber
interno que absorve, questiona e reflete, em um movimento fluido, daqueles que
se permitem não apenas racionalizar, mas verdadeiramente sentir, aplicar e
interiorizar o aprendizado por meio da experiência viva.
terça-feira, maio 06, 2025
O fantasma das massas
Nosso zeitgeist (espírito do tempo) tornou-se o fantasma das massas, movendo as cordas do ventríloquo que cada um se sujeitou a ser. Ao se submeter ao papel designado pela coletividade, o indivíduo abre mão do espírito da profundidade: vira as costas para o cerne de seu ser e fica à mercê da oscilação do pêndulo que sobe e desce conforme os ditames da sociedade.
Roteiros e ruínas
segunda-feira, maio 05, 2025
O silêncio da origem
domingo, maio 04, 2025
O cântico das oposições
quinta-feira, maio 01, 2025
Diálogo entre oceanos
Cá estamos nós dois, permitindo-nos navegar em devaneios no mar um do outro. Nossos pensamentos emergem, emanados do mais profundo oceano abissal das emoções. Nossas vozes se traduzem em palavras na superfície das águas, e as deixamos vagar livres, leves e soltas, até que encontrem, em nossas margens, um porto seguro onde possam atracar os nossos sentimentos.