quarta-feira, abril 30, 2025
Livra-me
Esquecidos
nesse mar de vozes que clamam por aprovação,
vamos nos apagando de nós mesmos.
Habitamos a superfície,
onde todos se veem, mas ninguém se enxerga,
com medo de mergulhar
e nos perder nas profundezas do esquecimento.
Quem sou eu,
se não há quem saiba,
ou chame
pelo meu nome?
terça-feira, abril 29, 2025
Entre a Imagem e a Verdade
Em tempos de validação externa, erguem-se fachadas imponentes como castelos — harmoniosos por fora, mas caóticos por dentro. À primeira vista, parecem conter força e significado, mas basta adentrar suas muralhas ilusórias para encontrar um vazio profundo: um salão desabitado de autenticidade. Ali, ecos de vozes alheias moldam imagens de padrões repetidos, cuja pressão do coletivo ofusca a centelha do ser.
Nesse labirinto de espelhos, buscamos incessantemente o reflexo do outro para
nos reconhecermos, enquanto nos esquecemos de habitar nossa própria imagem.
Um simples peão, à margem do tabuleiro, pode, um dia, tornar-se rei — não pela
aclamação das massas, mas pelo despertar do soberano interior. Sua coroação não
acontece sob aplausos, mas no silêncio sagrado da alma que, enfim, aprende a
reinar sobre si mesma, assumindo para si o próprio poder.
domingo, abril 27, 2025
Solidão coletiva
Em nossa sociedade narcísica,
erguemos muros invisíveis ao redor de nós mesmos, transformando-nos em
fortalezas de segurança máxima contra tudo e todos. Lá dentro, sonhamos com uma
liberdade que nos negamos a viver. Divididos entre juízes e vítimas — por
aparência, posição social ou qualquer outro critério ilusório — seguimos rumo a
solidão coletiva.
Falsos faróis
Somos guiados pelos faróis do medo,
que não emanam nada além de luz artificial.
Tememos cair nas sombras do esquecimento
e, paradoxalmente,
é justamente para onde mais tememos que caminhamos.
Sê tu mesmo o farol de teus barcos,
que, um a um,
deslizam leves como folhas de papel
sobre a superfície revolta de tuas águas,
envoltas em partículas de luz
que lapidam a alma do buscador.
quinta-feira, abril 24, 2025
Poema a ferro e fogo
Minha ancestralidade herdou dores
que não puderam ser expressas.
Feridas de sangue,
vertido em silêncio.
De onde falo, a voz me escapa —
ecoa como um coro
daqueles que se calaram.
Do coração corre o calor e a dor
do sangue retido.
Dos olhos, escorre o frio
da tristeza que oprime.
Meu sangue tem gosto de ferro.
Pensei ser feita de ferro.
Eles quiseram falar.
E eu os deixei falar.
Eles quiseram chorar.
E eu os deixei chorar.
Como tirar a venda dos olhos?
Como baixar as espadas que herdei?
Corta-me a contradição:
não ser parte de nada,
mas querer, com todas as forças,
fazer parte de tudo —
e assim, não ser nada.
Sobre isso,
não posso passar por cima.
Passo por dentro.
Entrego minha vida
ao fogo da criação.
Deixem-me passar —
eu preciso caminhar.
Dou corpo à memória dos esquecidos.
Dou voz aos silêncios dos ignorados.
Transformo as chagas em oferendas
aos que se foram.
Não sou o fim da dor,
mas o início da libertação.
Posso lançar esta dor ao fogo?
Sim.
E dela fazer criação.
O que antes era peso
será agora fundação.
Nossos olhos miram terras
que ainda não pisamos.
Não aguardo o sinal.
Sou eu o sinal.
quarta-feira, abril 23, 2025
Entre Linhas
domingo, abril 20, 2025
sábado, abril 19, 2025
Humana
sexta-feira, abril 18, 2025
Realidade virtual
Casas vazias
Estrutura secreta da colmeia
quarta-feira, abril 16, 2025
Linhas sem Margem
Almas silentes
como quem se esconde do sol
domingo, abril 13, 2025
Cartografia da Alma
sábado, abril 12, 2025
Marcha dos Postes
Estendo a mão e, de longe, dedilho os fios de alta tensão como cordas de um violão, acompanhando o som que toca no rádio e me leva distante em pensamentos.
Toco a vida como quem toca um novo instrumento: desafino, acerto as notas, deslizo, encontro o tom — e então vibra o coração.
sexta-feira, abril 11, 2025
Latência
segunda-feira, abril 07, 2025
Trincheiras do eu
Crepúsculo psíquico
sexta-feira, abril 04, 2025
Subsistência 1 X Existência 0
A busca pela sobrevivência e pela
subsistência despende uma grande quantidade de energia, drenando parte da força
que poderia nos impulsionar rumo às camadas mais profundas de nossa psique. O
tecido social forma uma teia que nos envolve coletivamente na materialidade
última, turvando nossa visão para as inúmeras nuances sutis de nossa
existência. Segue o jogo da vida, com um placar imune às justiças, opiniões e
crenças incontáveis.