Se cada coisa soubesse falar,
e se a tristeza tivesse vida própria,
como se existisse além daqueles
que sabem reconhecê-la,
que sabem recebê-la,
quem sabe, detê-la,
que sabem dizê-la,
quem sabe, vivê-la...
E quando nos parece invisível,
ou mesmo uma luz,
uma estrela no céu,
mais distante que o próprio céu,
lá de cima a brilhar,
no escuro a chorar,
no escuro a calar,
no escuro, um alívio,
um ponto de fuga,
fixado no olhar.
Só...
Somente ela e sua luz,
a brilhar na imensidão,
no silêncio,
no vazio,
sem nada mais conhecer.
Só...
Somente ela no topo,
aqui embaixo a nos dizer
que está só,
que veio para ficar.
Somente ela e sua luz,
a brilhar na imensidão.