terça-feira, outubro 28, 2008

Colorindo

A cada abrir e fechar de olhos, algo novo surge, numa corrente elétrica perpassando o espaço sem se apoiar em condutor de espécie alguma
Os olhos pintam cores de beleza ímpar, decodificadas fantasiando a realidade

As cores se dispersam
Se concentram
Contorcendo-se
Misturando-se
Num foco desfocado, brincam e dançam
Lançam-se lentas, velozes

Deslizam lambendo toda a superfície em pinceladas deliciosas
Num turbilhão maquiam meu mundo, minha realidade
De perto são cada vez mais cores, mais flores, pintores

Azul profundo, tranquilo, num demorado suspiro
Faz-me sorrir, com os olhos, dois brilhantes pincéis
Ou quem sabe chorar, colorindo-me de emoções

As nuances me acolhem, me abraçam
Num território matizado de gradações multicores
Beijam-me os olhos nutridos por contrastes

As cores revelam-se
Desnudam-se
Confiam-se a mim em meu jogo tingido, pintado de cores

Os olhos funcionam assim como uma droga, que ilude, distrai
Almejam o belo com um sentimento agradável, aprazível
Envolvem-me numa projeção avassaladora, que me despedaça o tempo todo

Meus olhos junto dos mecanismos cerebrais, geram, criam cores nas coisas, em uma lógica inteligível
Mas as cores não estão lá, não estão lá...
Ah os olhos com sua retina, bastonetes e cones perfeitos são apenas glóbulos lúdicos
E as cores me parecem tão reais verdadeiras e autenticas que diria poder tocá-las, senti-las, cheirá-las, degustá-las