terça-feira, maio 13, 2025
Quem de mim sou eu mesma?
domingo, maio 11, 2025
Na Cauda do Tigre
Não há bússola, nem constelações visíveis. Nenhum mapa pode guiar por esse
espaço de dentro. Aqui, é preciso render-se a uma força invisível, ancestral e
implacável — uma presença silenciosa e insondável que me conduz.
Em prece muda, invoco um poder
psíquico do fundo do poço interior — e ele vem: uma sombra indivisa em mil
fragmentos. Era um campo minado, cuja travessia exigia cuidado e respeito, como
a marcha de um soldado em formação, num ritmo sincronizado e coeso.
Aqui, aconselha-se agir com
cautela, como quem pisa na cauda de um tigre. A prudência é a única armadura
possível diante dos titãs, para não ser engolida de uma vez pela própria fera
ou perder-se no oceano abissal do inconsciente.
O poder interior suplanta o exterior; o núcleo se sobrepõe à superfície; o inconsciente supera o consciente — um vilarejo não pode guerrear com um império.
A mim cabe a reverência ao fogo sagrado da criação, onde qualquer faísca pode
ser o gatilho que inflama a chama e se alastra pela plantação.
sexta-feira, maio 09, 2025
Penumbra
Sob memória
Os que escolheram o esquecimento,
que se reconheceram na trama geral,
abraçaram seu papel além do campo de guerra,
além do céu e da terra.
Permanecem firmes no posto inalcançável à memória,
livres do peso das lembranças corrompidas.
quarta-feira, maio 07, 2025
Inteligência
Não se deve confundir raciocínio
lógico com inteligência. O primeiro está na superfície, enquanto o segundo
demanda profundidade. Inteligência vai muito além de conhecimento acumulado,
aplicação de fórmulas, leitura de mapas e manuais. Ela provém de um saber
interno que absorve, questiona e reflete, em um movimento fluido, daqueles que
se permitem não apenas racionalizar, mas verdadeiramente sentir, aplicar e
interiorizar o aprendizado por meio da experiência viva.
terça-feira, maio 06, 2025
O fantasma das massas
Nosso zeitgeist (espírito do tempo) tornou-se o fantasma das massas, movendo as cordas do ventríloquo que cada um se sujeitou a ser. Ao se submeter ao papel designado pela coletividade, o indivíduo abre mão do espírito da profundidade: vira as costas para o cerne de seu ser e fica à mercê da oscilação do pêndulo que sobe e desce conforme os ditames da sociedade.