terça-feira, maio 06, 2025

Roteiros e ruínas

A transparência deu lugar ao transparecer — prefere-se parecer a ser.
Trocou-se o espelho pela tela, que oferece uma fantasia ao público.
No espelho, vejo-me como sou; na tela, projeto-me como quero parecer.
Todos à volta fazem o mesmo, na caverna de Platão.
Só enxergamos sombras projetadas na parede.
Visto minha indumentária, você a sua — atuamos uns para os outros, na expectativa dos aplausos.
Neste teatro de marionetes, quem escolhe o meu papel? 
Quem escreve o meu roteiro?
A que plateia me dirijo, quando estou nos bastidores, entre um ato e outro?
Protagonizamos, no tempo e no espaço, dramas infinitos, efêmeros, desprovidos de sentido — para, no final, tornarmo-nos apenas mais um fracasso entre tantos outros.