quinta-feira, setembro 17, 2009
Corpo humano
domingo, setembro 13, 2009
Pedido 4662
Prontos para perfurar, cavar esse solo erodido
Nesta sala fechada, abafada em meio a lasers
Tambores eletrônicos, aborígenes expatriados
O perigo ronda, devora destemido
Não há o que temer, não há o que temer...
Ecoa no ar, invariavelmente
Num mar onde somente os corpos falam
Irrompe maré alta que tenciona involuntária
Cataclismo ilícito se move de dentro para fora
Rostos inexpressivos
Pálidos, cambiantes
São só borrões de tinta
Seus corpos fumaça
Ondulando, ondulando...
São todos um só terreno
Mergulho, toco no fundo
Bebo dessa superfície
Aspirando que seja perene
Peço, e peço, para que não acabe nunca
Sofro a influência dos astros
quarta-feira, setembro 09, 2009
Morte
Quem, a ti, não temer,
teus olhos miméticos,
tua foice implacável,
teu ponteiro certeiro.
De teu beijo levará o sabor,
em teu enlace mergulhará devagar,
destinado a nos escoltar.
Lira distante,
chamado lacônico,
teu lamento, um encanto,
bramido suave a clamar.
Meu nome em tua boca,
teus versos a decantar,
anjo a cantar
para meu espírito cativar
e minha alma levar
para todo lugar.
Num abraço a consagrar,
derradeira essência a chorar,
verdadeira existência a firmar.
Por ti, não haverei de chamar.
A ti, não haverei de negar.
Por ti, não haverei de esperar.
A ti, haverei de aceitar,
silenciosamente em meu coração.
domingo, setembro 06, 2009
Dia de chuva
Lembrança remota, difícil de se alcançar
Suspensa no meu coração
De longe, familiaridade, raridade
No céu branco, somente pássaros em revoada
E a chuva, cortejo brilhante, ruído cadente
O cheiro da terra, quando queda no solo
Inconfundível, indescritível
Da memória, o aconchego
Das janelas, cursos d’água
Correndo, escorrendo,
Alimentando a terra
Alimentando a farra dos pardais no telhado
Nutrindo a nostalgia, crescente corredeira
Fim de tarde a suspirar
Dia de chuva, dia de chuva
Os olhos chovem alimento d’alma
Pedindo aquilo que o tempo tira
quinta-feira, setembro 03, 2009
Roda do Tempo
Crescidos, esguios, no alarde das valentias, valsejo de amor, vapores suspensos elevados à décima potência, respirações anelantes, ações alarmantes, disritmia pulsante, a roda acelera às voltas de um tempo sem volta, engrena sem medo até desabar em perene ilusão.
Crescidos descrentes, maduros amargos, transeuntes perdidos na roda furiosa, estrelas cadentes que descambam em desajeito, morro abaixo, morro abaixo, morrendo, morrendo...
domingo, agosto 30, 2009
Sorvendo-me
Muito bebi da racionalidade,
Mas não adianta — de todo, não sou racional.
Argumentos bem elaborados, pautados em exímias teorias,
Por certo, não me convencem; resvalam no orgulho cético.
Por pouco, ocupam espaço no vácuo onde sufocam e gritam em desespero.
Eu, por inteira, não sou racional.
Meus atos e convicções são, em grande parte, passionais, sazonais, impulsos
irracionais.
Elevações, depressões, erosões em terreno arenoso, pedregoso.
Não sou equação, sou inequação,
Desigualdade insatisfeita,
Valores de parâmetros indeterminados,
Incógnitas irresolutas,
Inconcluso "objeto".
Expressão fiel da natureza,
A quem não se pode convencer,
A quem não se atribuem verdades.
Sorvendo-me,
Transbordando,
Tragada num único gole,
Expelida em uma só onda.
Coração a bombear,
Oração sempiterna,
Que não teve princípio nem há de ter fim.
sábado, agosto 22, 2009
Tear
Imaginação que se desvanece
Feito fumaça, chuva de verão
Arrabalde de um povoado insano
Livres dos dispositivos frívolos da razão
Forjando utopias
Prometíamos, prometíamos...
Tudo no futuro
E agora que o futuro chegou?
Planejávamos paixões
Desejos fluidos jorravam feito cataratas violentas, inclementes.
Planávamos leve entre as montanhas
Deslizávamos num caminho desenhado entre os espinhos
Num roseiral perfumado e dolorido, herdado dos antepassados
Queridos já passados
Antigas embarcações
Em coro a decantar
Agora, que sou eu
Símplice individual
Que pergunta ao espelho
E?
Ascende um suspiro do passado
Para lembrar-me de quem fui
Agora que já nem mais sabia dizer
Quem para o espelho mirava