Eu tinha um compromisso marcado,
com hora e data indicadas.
Era uma obrigação a realizar,
um dever a cumprir.
A força invisível que me impingia a necessidade de ir esfriou-me.
A motivação se esvaiu no ter de ir,
no compromisso sem graça.
Meu rosto, ao se preparar para mais um “eu estou aqui”,
desbotou-se no espelho.
O sorriso afrouxou, os ombros penderam,
curvaram-se de modo que as roupas já não lhe caíam bem.
Os joelhos, tortos, ficaram bobos como os de um tolo.
Os braços se deixaram cair da cintura rumo às pernas,
pilastras imóveis.
A força, a paixão, fugiram num riso mofado.
Na hora, a vontade escapou, apesar do combinado.
Então, decidi que não ia.
E aqueles que lá não me vissem,
que se contentassem em criticar meus maus modos.