sexta-feira, abril 09, 2010

Monólogos

Pois que gosto de dizer,
palestrar, monologar.

Ao espelho, quase nada relato,
pois sei que naquele rosto,
repleto de tantas expressões
— não aquelas do dia a dia,
do tratamento alheio e bem dizer —
reflete um sorriso secreto,
careta malcriada,
um espanto,
um concorde,
uma tristeza distante,
uma angústia vibrante.

Quantas surpresas há na haste dessas sobrancelhas,
conquistas e perdas no canto desses olhos,
fundos, negros pântanos.

Quanto tempo! Finas linhas a sulcar,
fendas por onde correm lágrimas
de dor e júbilo,
tão caras e raras.

Tantas são as caras,
as máscaras,
as almas.

Disto, daquilo...
Enxergar um só reflexo
seria-me um sacrifício
nessa minha sina
de rostos em catarata.