Desapareço assim do nada
Reapareço assim como quem nada quer
Saio de fininho e me esquivo na multidão que me esbarra
Observo tudo de longe
Como se pudesse repousar no movimento do universo
Em silêncio a dançar sob o burburinho
Distante a evitar olhares indiscretos
Como se me pudesse esconder por trás de uma cortina invisível
Privando-me de alheia presença
Sem fazer-me notar, nada noto além de mim mesma
Envolta a estranhos íntimos e semelhantes
Impessoais e acelerados, personagens de si mesmos
Eu ponto fixo num sossego desbotado
Calado e sufocado assentado na plateia
É a estreia do espetáculo a cada dia em que me jogo na corrente deste jogo.
quarta-feira, outubro 01, 2008
terça-feira, setembro 23, 2008
O filme
Dos olhos, jorra um mar salgado,
debatendo-se em convulsões chorosas.
Anuviados pela dor alheia,
chovem cumplicidade.
Fixos no horizonte azulado da tela da TV,
embebidos em dramaturgia cinematográfica,
histórias atuadas, por vezes tão próximas
de nossa história vivida,
de nossa história de vida,
de nossa história sofrida,
de nossa história querida.
No final, para além dos créditos finais,
sobram-nos grossas listras coloridas,
acompanhadas de um som em linha reta:
Tuuuuuu.....
No final, para além de nossos créditos totais,
resta-nos um tênue fio de vida,
acompanhado de um som em linha reta:
Tuuuuuu.....
E, na extensão da imensidão,
pela última vez rolam os dados.
O filme acaba, mas seu fim é só o começo...
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