segunda-feira, março 31, 2008

Se

Não deveria esperar pelo sol nem pela chuva de amanhã,
Nem me preocupar se o dia será bom ou ruim,
Ou se será como imaginei,
Não deveria jogar a bola com tanta força para o outro lado do muro, porque corro o risco de não encontra-la jamais.
Se olhar para trás, sei o que irei ver,
Se olhar ao redor, vejo o que ficou e imagino o que vem além do horizonte,
Se olhar para o espaço onde estou, insisto em pensar nos passos que dei e naqueles que quero dar.
Se ficar onde estou começo a esperar,
Se voltar para onde estava me vem a esperança de poder modificar os quadros tristes e reviver os mais felizes.
Jogo a bola para o alto, sei que irá cair mais rápido do que esperava.
Mera ilusão ter a bola em minhas mãos.
Chuto a bola para frente, mas não corro para ver onde vai dar.
A partir daí, apenas a certeza de que não adianta esperar ela voltar, pois sou eu quem deve ir buscá-la.

quinta-feira, março 27, 2008

Poema escrito para um homem chamado Joseph Merrick

Enfim, construíra seu castelo encantado,
Sua igreja matriz,
Vivera seu sonho distante,
Sonhara milhões de sonhos mais,
Tornara-se um homem comum,
Recebera seus cumprimentos,
Fora admirado,
Sentira-se grato,
Vira-se nos olhos daqueles que o observavam com curiosidade,
Divertiram-se com sua imagem, ao passo de seu sofrimento,
Ainda assim, enxergara comovente beleza nos rostos que dele zombavam,
Seres celestes, senhores da vida, legitimados na perfeição,
Fizeram-lhe monstro, animal, bárbaro anômalo,
Fizeram-lhe marcas, dor e medo,
Quando, na verdade, era um anjo de medonha aparência,
Um corpo perdido no caos,
Ser transcendente, metafísico.
Era nobre.
Era apenas um homem. Queria sê-lo e o era.
Temia o mundo que lhe ofereciam,
Numa esfera abaixo da humanidade,
Para tanto, engendrou projetos quiméricos,
Levou-os às ultimas consequências.
- Sou um ser humano! – implorava a Deus que fosse verdade.
Fora um espelho quebrado, que refletiu a imagem e semelhança disforme dos seus.