terça-feira, junho 29, 2010

Complexas relações humanas

As relações humanas são situações totalmente embricadas, emaranhados complexos de emoções repetidas, catárticas, mais energéticas que um laxante e menos que um drástico — uma teia rasteira, efêmera, sujeita a se desmanchar ao menor esbarrão.
Nos debates que tangem emoções arraigadas, ilusões aferradas, erguem-se questões infinitamente redundantes, para as quais se exigem respostas igualmente supérfluas. Para perguntas sem resposta, não há perdão: é necessário apresentar uma resposta devidamente elaborada, que atenda às expectativas do interrogante.

Convém, para tanto, nos aprofundarmos nesse ponto, pois responder satisfatoriamente exige a capacidade de discernir as expectativas do outro em relação a nós. Tendo analisado e ponderado sobre tais expedientes, devemos então elaborar uma resposta adequada para cada interrogante em questão.

Para que a resposta seja aceita positivamente, é necessário um trabalho de formulação de oratórias que correspondam ao que o outro quer ouvir — e não ao que você realmente pensa, ou sequer considera. Pois, nesse sentido, em geral, as pessoas não estão preparadas para quem somos, pela falta de objetividade racional que, por vezes, possamos apresentar — ou, quem sabe, para uma transformação considerável, que fuja aos requisitos padrão.

Não tem explicação, portanto não é padrão. Não sendo padrão, por conseguinte, não há aceitação, nem validação.
Resta-nos, então, apelar às paredes — que não questionam, não aceitam nem renegam, não julgam, nem pretendem saber de nós o que nem nós mesmos sabemos. Não pressionam, não tensionam — apenas ouvem. Não importa compreender — simplesmente se calam, para que o coração de quem vos fala saiba dizer, sem temer, nem responder, o que se passa dentro de nós.

O caminho da ascensão se trilha sozinho, pois não pode estar lá fora, nem no outro, aquilo que se encontra aqui dentro.