O I Ching
é madeira sobre as águas.
Por onde navegam as embarcações.
Rumo ao firmamento.
Onde o sol nasce…
e se põe.
Travessia do inconsciente.
Sabedoria ancestral.
Que flutua sobre o rio da vida.
Transportando símbolos.
Mistérios.
Direções.
Atravessando o nevoeiro do silêncio.
Em busca de sentido.
A estrutura do hexagrama
é mais um florescer…
do que uma construção.
Seu movimento no agora,
através da mutação das linhas,
navega rumo
ao que ainda não se revelou.
O eu que fui…
e o eu que posso vir a ser…
fazem parte de um mesmo movimento.
Instrumento de comunicação entre mundos:
o visível e o invisível.
O presente e o eterno.
Que só a intuição reconhece.
Rasga distâncias.
E ilusões.
Toca ecos do que já foi.
E sussurros do que está por vir.
Ele não responde — escuta.
Não revela — espelha.
Não impõe — orienta.
Quando todas as vozes se calam…
e as intenções silenciam…
ele brota naturalmente.
No fluxo da vida.
A cada consulta:
vivemos conscientemente.
Integramos a sombra.
Dialogamos com os sonhos.
Acolhemos conteúdos simbólicos.
Essa é a influência verdadeira.
Que nos aproxima do que somos.
Nos integra.
E nos sincroniza ao Tao.
Só assim
vivemos de acordo com a lei natural.
E tocamos
o que é universal e cósmico.
Que cada fragmento desse poema possa ser lido como quem lança moedas ou varetas, em compasso com o silêncio da alma.