Vivemos tempos em que mulheres desprezam os homens e homens desprezam as mulheres. A combatividade tomou o lugar da escuta, e a agressividade passou a mirar o outro como inimigo. Indivíduos se veem como adversários a serem eliminados, e esse modo de pensar criou uma sociedade sufocada dentro de uma armadura rígida e artificial, feita para nos isolar uns dos outros.
O espírito de cooperação foi rejeitado. A nova palavra de ordem é: eu não preciso de você. A partir dessa crença, instala-se o conflito. Passamos a combater irracionalmente, mesmo quando encobrimos esse combate com discursos que soam lógicos. Justificamos nossa raiva reprimida projetando-a nas falhas e imperfeições dos outros. Incapazes de olhar para os próprios erros, preferimos manter os olhos voltados para fora, como forma de escapar das sombras que habitam em nós.
Nos enfrentamos até o esgotamento, e ao fim, restamos em pedaços.
As energias que nos compõem, opostas e igualmente naturais, não precisam viver em confronto. Elas podem coexistir em harmonia. Cada ser humano carrega dentro de si uma multiplicidade de aspectos, entre eles os femininos e os masculinos. Essas forças não precisam competir pelo domínio da narrativa pessoal. Integrá-las é reconhecer-se inteiro.
A visão fragmentada de mundo que insiste em dividir, em vez de unir, não nos fortalece. Enfraquece-nos. Realizar a integração entre partes distintas nos engrandece e nos aproxima de uma existência mais plena. No entanto, o discurso dominante parece ter invertido o propósito: dividir para conquistar. O que muitas vezes esquecemos é que, ao final desse processo, os verdadeiramente conquistados somos nós.