Estamos sempre em busca de luz, mas e se a única luz que
desejamos for artificial?
Quantas vezes voamos em direção a brilhos que não aquecem, caminhos que nos
atraem, mas não nos esclarecem de verdade?
Hipnotizados por uma falsa ideia de iluminação, por promessas vendáveis,
tornamo-nos meros consumidores de luz.
Nem toda luz ilumina, e nem toda escuridão significa perda. Evitamos confrontar
nossas sombras, presos a uma mentalidade pueril, mas esse movimento escapista
nos torna ignorantes de nós mesmos.
As sombras estão associadas à luz. Depende dela para se projetar.
Que saibamos diferenciar o brilho que guia daquele que apenas cega.
Nela, sopra um assovio baixinho, como uma brisa suave que toca o rosto devagar, sinto o frescor da chegada.
Percebo o movimento dos pensamentos se aproximando aos poucos, moldando a forma
que irão tomar e compondo as palavras.
Pouco a pouco, emergem à consciência, emanados do mais profundo oceano abissal das
emoções.
Deles brota um som inaudível que viaja ao lado da luz e penetra a camada das
sensações, trazendo clareza e beleza ao meu entendimento.
Minha voz liberta a natureza efêmera desses devaneios na superfície das águas e
os deixo vagar livres, leves e soltos, até encontrarem uma margem onde possam
atracar.