aquele que não se resume a palavras
e habita o coração.
Desvia meus olhos da ilusão do olhar, mira-os na profundidade do verbo ver, para que eu possa enxergar.
Do alto de sua insignificância, ele caminha a passos largos,
eternamente ameaçado,
armado até os dentes,
infinitamente inseguro.
Acredita-se à frente,
como se soubesse o amanhã.
O ego.
A persona.
Espelho convexo, projetando para o exterior imagens virtuais e distorcidas.
Mente ácida, de efeito corrosivo sobre sua superfície, sobre
sua realidade.
Sua rota bélica lhe impõe um destino inevitável:
o confronto com Ele, o desconhecido.
O ego, sob a sola do sapato que o esmaga contra o cimento da
realidade, agoniza.
Sob o peso de sua miséria, tal qual um inseto pisado,
levanta em vão uma questão que parece espremê-lo ainda mais contra a dureza do
chão que o suporta e o sufoca:
De quem são os pés que lhe impõem a verdade, que lhe extraem
o sangue e o último suspiro de morte?
Escrever não é um monólogo, mas um diálogo com todos aqueles que já abracei, de quem me despedi, com quem me reencontrei e por quem me encantei.
Eles e eu, que me afirmo sendo um, somos mais que uma unidade; somos um coletivo de meus próprios eus espalhados pelo tempo e espaço.
Travamos longas discussões sobre o que se foi, tecendo comentários parciais sobre o passado, prevendo cenários do futuro e entretendo-nos com curiosidades superficiais.
Nós, como infinitos personagens que somos, gargalhamos das histórias narradas diante do espelho da vida.
O mundo aqui dentro é vasto e rico, muito além do mundo exterior, que costumamos priorizar além da conta.