quarta-feira, março 12, 2025

Travessia à espreita da morte e das sombras

Do alto de sua insignificância, ele caminha a passos largos,

eternamente ameaçado,
armado até os dentes,
infinitamente inseguro.

Acredita-se à frente,
como se soubesse o amanhã.

O ego.
A persona.
Espelho convexo, projetando para o exterior imagens virtuais e distorcidas.

Mente ácida, de efeito corrosivo sobre sua superfície, sobre sua realidade.

Sua rota bélica lhe impõe um destino inevitável:
o confronto com Ele, o desconhecido.

O ego, sob a sola do sapato que o esmaga contra o cimento da realidade, agoniza.

Sob o peso de sua miséria, tal qual um inseto pisado,
levanta em vão uma questão que parece espremê-lo ainda mais contra a dureza do chão que o suporta e o sufoca:

De quem são os pés que lhe impõem a verdade, que lhe extraem o sangue e o último suspiro de morte?