quinta-feira, agosto 31, 2023
Me encontrar
terça-feira, agosto 08, 2023
Possível
Se realmente existe a imortalidade das coisas, ainda é possível ver a chuva do outro lado do oceano.
É possível presenciar as auroras boreais tão distantes daqui, onde o horizonte não alcança.
contemplar o desabrochar das flores no extremo oposto do planeta
ver o nascer do sol em um lugar onde nunca o vi nascer
observar as florestas e sentir o aroma das coisas tão distantes de onde estou
ouvir vozes e idiomas desconhecidos para mim
enxergar os rostos de seres em realidades tão diversas da minha
mesmo que não haja tempo, experimentar tudo aquilo que ainda não provei
saborear todos os gostos que nunca conheci
me conectar a todas as pessoas que jamais imaginei.
viver o dia que nunca esperei
deixar para trás
chegar ao destino
compreender definitivamente
alcançar completamente.
Vou inspirar profundamente
E exalar o ar até que ele se acabe,
Enxergar o infinito reverberar em uma frequência desconhecida,
E então, o que acreditei ser impossível será possível.
domingo, dezembro 09, 2012
Virando a página
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Mudanças proclamadas
Há muito sentimos brotar a
necessidade de mudar. Essa necessidade tornou-se quase uma urgência nos últimos
anos. Então, chegou-se a um consenso de que está na hora de transformar nossa
realidade.
Sabemos disso e, no fundo de
nossos corações, ansiamos por um novo mundo. No entanto, muitos — talvez a
maioria de nós — não levam em consideração o quão doloroso é o processo de
transformação e mudança.
Esse processo não é externo; não
começa lá fora, no mundo, nem nas pessoas ao nosso redor. Ele começa dentro de
nós, e precisamos entender que não é algo fácil, agradável, confortável,
tranquilo ou pacífico.
É um processo turbulento,
doloroso, incômodo, porque mexe com aquilo a que estamos acostumados,
condicionados e educados. Definitivamente, mudar não é fácil.
Falar sobre a necessidade de
mudança é simples, é cômodo, pois sequer iniciamos nossa jornada. Mas mudar um
comportamento que repetimos há 5, 10, 20, 30, 40 anos torna-se uma tarefa tão
difícil quanto escalar o pico de uma montanha. É uma batalha árdua contra
condicionamentos e hábitos que repetimos há anos.
Mesmo uma pequena mudança será
dolorosa, pois nos tirará do lugar onde estamos acostumados a estar. Ela
removerá um comportamento ao qual nos acomodamos, nos lançará para além das
paredes que construímos ao nosso redor e nos exporá além da segurança que conhecemos.
A transformação demanda a
subtração infinita de valores, comportamentos, segurança, conforto, acomodação,
costume, repetição, entrega. Quando iniciada, a mudança vai removendo um a um,
como alguém que arranca pragas de um jardim abandonado à própria sorte. A
remoção é dolorosa. A desintoxicação machuca. Deixar para trás um comportamento
repetido por anos não é fácil.
A maioria das pessoas deseja
passar pela transformação, mas poucos estão realmente dispostos a abrir mão de
seus vícios, comportamentos, conforto e acomodação para, de fato, alçar voo
rumo ao desconhecido. Deixar para trás o mundo ao qual estamos acostumados
exige grande esforço, causa dor e sofrimento, pois trata-se de uma batalha
diária travada dentro de nós.
Pense em como é difícil mudar um
simples hábito. O ser humano tende, infelizmente, à repetição e à acomodação.
Suponha que você tenha um vício — seja álcool, remédios, chocolates, cigarros,
refrigerantes, cafés (seja o que for). Você o repete diariamente durante anos
porque está acostumado, e, por isso, ele se torna prazeroso, confortável,
agradável. Ele acalma, relaxa, diverte, satisfaz, faz sentir-se bem. Assim, aos
poucos, entregamos nossa satisfação, nossa “felicidade”, nosso contentamento a
fatores externos: a terceiros, substâncias, alimentos, bebidas, comportamentos
etc.
Cada vez mais nos tornamos
dependentes de elementos externos e, com isso, nos enfraquecemos, nos
sabotamos, passamos a depender sempre desse ou daquele suprimento, dessa ou
daquela pessoa, para nos sentirmos seguros, confortáveis, felizes e
satisfeitos.
Gradualmente, nos tornamos
reféns, vítimas, fracos, dependentes, anulados. E então, nos vemos incapazes de
caminhar com nossas próprias pernas, incapazes de promover a mudança que tanto
aspiramos.
Como fazer acontecer? Como
promover transformações? Como visualizar mudanças se não somos capazes de
modificar nossos próprios comportamentos? Se não conseguimos vencer nossos
próprios vícios, derrotar nossos próprios fantasmas? Se não estamos dispostos a
sair da zona de conforto e suportar a dor de modificar sequer um pequeno
hábito?
Se não temos coragem de agir
sozinhos porque dói, porque temos medo, porque não queremos sentir desconforto,
insatisfação ou contrariar nossos próprios desejos e padrões, como assumiremos
o controle de nossas ações?
Muitas vezes, não temos força de
vontade suficiente para mudar pequenas coisas em nós. Então, percebemos que o
que queremos não são mudanças nem transformações, mas a perpetuação do que já
somos: do falso conforto, da falsa segurança, da previsibilidade ilusória, da
repetição, dos vícios e manias, das mentiras e ilusões. Queremos continuar nos
entregando às fraquezas contra as quais nos recusamos a lutar.
Chegamos, então, à conclusão de
que nosso desejo de mudança não era sincero, mas uma ilusão. Esperamos, em vão,
que algo ou alguém faça por nós o que não temos disposição de fazer por nós
mesmos. Afinal, todos somos capazes, mas poucos se arriscam a levantar voo rumo
ao desconhecido.
Afastamo-nos da capacidade de
enxergar que, na maioria das vezes, optamos por não fazer a transição.
A dificuldade não deve ser
encarada com desânimo, mas como um desafio. Para aprender a voar, é preciso se
arriscar a cair, errar e se machucar — para, então, levantar-se e tentar
novamente. Nada é para permanecer imutável.