quinta-feira, maio 29, 2008

É preciso experimentar

Experimentemos a mudança, pois só assim poderemos tocar outros corações.
Experimentemos nossas próprias invejas antes de alimentá-las.
Experimentemos nossas próprias ofensas antes de proferi-las.
Experimentemos nossos próprios julgamentos antes de julgar alguém.
Experimentemos nossas próprias ciladas antes de pensarmos naquelas que planejamos criar.
Experimentemos nossas próprias brutalidades antes de cometê-las sempre que nos convier.
Experimentemos nossas próprias falsidades para refletirmos se realmente queremos praticá-las.
Experimentemos nosso próprio veneno e decidamos se devemos expeli-lo ou não.

É preciso experimentar para saber se realmente iremos gostar e se, de fato, teremos prazer.
É preciso sofrer o que faremos os outros sofrerem.
É preciso sentir aquilo que faremos com que os outros sintam.
É preciso conhecer o mal que pretendemos perpetuar.

Mas também é preciso refletir sobre o bem que poderíamos propagar.
É preciso experimentar a gentileza que podemos oferecer.
É preciso experimentar a sinceridade que podemos demonstrar.
É preciso experimentar o carinho com o qual podemos presentear.
É preciso experimentar a doçura com a qual podemos cativar.

Que a vida esteja repleta de experiências, em oposição às teorias nas quais insistimos em acreditar.
Que esta vida se sobressaia à vida com a qual nos contentamos.
Que esta vida não seja um ensaio, mas um improviso.
Que esta vida não seja um plano, mas um repente.
Que esta vida seja vivida — e não apenas um ponto de partida.


terça-feira, maio 27, 2008

Réplicas Tétricas

Andam a seguir pessoas, e de longe a espreita, as veem como presas em potencial.
Tome direção à esquerda e lá estão eles.
Vire à direita e mais uma vez se depare com os mesmos.
Corra e na boca do lobo estarão.
Pelos corredores, escadas, elevadores, banheiros, nos odores dos ares farejam seus passos.
Observam afastados e no olhar sustentam o brilho do mal.
Seguem exalando energia nociva, trucidando reses.
Promovem o acaso, e ao cabo do caso escapam ilesos.
Por pouco não falam, grunhem sons grotescos.
Vibram horror, causam repulsa.
De suas peles, expelem suores sebosos emplastrados de medo e desalento.
Emitem vapores sulforosos em atmosfera subumana.
Suas vitórias são perdas de si.
Suas perdas são relatos anônimos.
Suas almas são censuras e tarjas, escuras e cruas.
Sua fome é réu primário.
Sua sede é Rei deposto.
Suas vidas são o reflexo do mundo como se passou a acreditar.
Seus fantasmas transcrevem traços fechando-nos em círculos anelares.
Seus corpos inanimados se animam por sopro cético.
Suas imagens são réplicas tétricas.