Realidade, ó anarquia decrépita.
Expele verdades tal qual pus da ferida.
Descarada mentira estapeia-me a cara.
No correr do dia e ao cair da noite, se diz cumprir o segredo do sucesso!
Nada melhor que um jargão porcalhão!
A vida é uma festa, então pague o ingresso!
Todos a postos, meneia a multidão,
Contundida argamassa.
Certeza dos fatos, aprazível remédio.
Tecnologia em ascendência,
Miríade virtual.
Bem-vindos senhores e senhoras escancaram-se as portas,
Façam de vos nutritivo alimento,
Sinto cheiro de carne... Fareja o caçador.
Os ardis maquinários,
Ornam o espaço e a todos envolve em sutil perversão.
Tenazes sujeitos sujeitam-se ao fim,
O tempo urge em aguda distorção.
Homens formiga, débeis corpos cansados.
Desejos dragados,
Amálgama universal.
Colossal compressor,
Humanidade anônima.
Ardida chicotada.
Poderosa imagética, em esboço amador.
segunda-feira, maio 05, 2008
quarta-feira, abril 30, 2008
Abandono
Peço-te que me abandones, deixe-me viver e morrer na dor de não pertencer a ti.
Imploro-te para que estejas próximo, pretendo não perder-te de vista, porém não almejo ver-te nitidamente.
Contento-me apenas com tua sombra sorrateira, mas temo em breve isto não ser sustentável.
Coloco-me na transição entre os extremos.
A dúvida consome meu ato de decisão, estes minutos são finais e os próximos serão meu fim.
Deixe-me até que meus caminhos não mais cruzem os teus, até que a dor lacere meu peito e meus sentidos não mais sejam confiáveis.
Espera-me em planos secretos, onde minha existência consagrada de vida se deixa tomar por teus apelos.
Assim sendo irei para quem sabe um dia retornar novamente.
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