terça-feira, julho 28, 2009

Polos à parte

Assim que nossos caminhos não mais se cruzarem,
Num entendimento elementar,
Destoando em cruzamentos,
Imagens reversas,
Retóricas dissonantes,
Haveremos de nos dirigir
Aos polos opostos:
Ártico,
Antártico,
Ao extremo Norte-Sul,
Divergindo entre estações,
Alternando entre dia e noite,
Do inverno austral
Ao Sol da meia-noite,
Da florada das ideias
Ao declínio das doutrinas.

Unidos por oposição,
Em partes compostas,
Do abrir ao fechar do sorriso,
Como cortinas de teatro
Que ocultam o vazio pano de fundo.

Assim, deste ou daquele modo,
Absolutos e transitórios,
Num passar,
Num ficar,
Num olá,
Num adeus,
Sem que possamos medir a distância
Entre nossos pensares e pesares.

Tudo se faz linhas,
Linhas imaginárias,
Desenhadas para apartar,
Que a tudo tendem a dividir
Em polos à parte,
Onde haveremos, cada qual em seu eixo,
De erguer observatórios em defesa de si mesmo,
De erguer fortalezas em nome do isolamento.

Haveremos de combater nada além de nós mesmos.
Haveremos de abrigar a verdade de nossas ilusões.
Haveremos de viver a quimera das oposições.

Haveremos, então, de nos armar, cortar laços,
Na iminência das tão sonhadas alianças,
A anos-luz de nossas essências.