terça-feira, novembro 07, 2006

Mumúrios

Eu cá a andar e eles lá no horizonte!
Eu aqui e eles passam por mim...
Eu só a andar, pelas ruas e ruelas e eles por vezes sós, por vezes em grupos, grandes ou pequenos, tanto faz... Ruas, ruelas...
Eles e eu paráramos ante todas as coisas que para eles ou para mim valem nossa atenção.
Eles e eu, seguimos em frente e eles e eu sabemos ou não...
Eu o olho que os observa, sou aquele que os vê, mas que não saberia dizer se são ou não são...
Penumbra, luz fraca refletindo uma fé secular, seja ela qual for. Há no ar um movimento leve de mentes, todas elas se chocam gerando uma explosão sem som, tudo ocorre no vácuo onde o som não se propaga por ser uma onda mecânica...
Murmúrios! Alguém se confessa e alivia a alma.
Murmúrios... alguns oram calados mantendo a fé.
Murmúrios... e as portas se fecham!
Murmúrios! Soam os sinos.
Nos símbolos repletos de infinita significância transparece a crença.
A missa começa, ali todos estão em busca D’Ele e eu em busca de que?
Por certo me viro e de costas pra eles de tão bela fé, de costas pra Ele que dizem ter por nós todo amor, abro uma fresta e retiro-me. Sim me vou deste mundo criado por eles e em busca de qual devo ir a não ser do meu mesmo?
Alguns não entendem e não me esforço para isso.
A verdade tem dono? Se tiver não sou eu... Nem levo em conta quem diga saber.
Sigo em frente, pois parar ninguém pode, esse é o lema do que quer que seja.
Eu me vou, deixando o calor, deixando a fé e agora aonde vou?
Lá fora na chuva, no frio, no vento, na incerteza, meus pés doem... Onde estou?
A ponte! Eu a vejo! Esta lá, não em foto, mas em realidade, em meio ao mal tempo eu à atravesso. Em sua outra extremidade não há nada, ora, mas como não?! Seja o que for não será o meu fim.
O que foi um dia, hoje já não é mais.
Muito se perde, mas muito se ganha...