quarta-feira, março 29, 2006

Lembraças que se eternizam

A Vida é um lampejo repleto de magia, tão singela e complexa, ínfima nos transcende à imensidão.
Milhares de vezes procurei por seu rosto pela multidão na esperança de encontrá-lo onde quer que fosse, conhecendo no fundo a impossibilidade de meu desejo se realizar.
Queria que você estivesse aqui, nesse exato momento, sentado ao meu lado com o mesmo olhar sério e aventureiro que costumava ter.
De que é feito o espírito? O que é sagrado? Não saberia eu responder se não fosse pelo amor.

Amor é aspirar conhecer profundamente, não sendo possível descobri-lo por completo.
É navegar mares sem cessar.
É explorar sua infinita grandeza e apenas nela saciar-se.
É determinar-se vê-lo a si unido eternamente, mesmo que longínquo.
É transpor barreiras do tempo e espaço.
É desconhecer e pertencer a planos que a natureza alguma condiz.
É vagar sem destino, sem saber, nem entender.
É entregar-se sem como nem porque e nele viver.
É ter fé no que não imaginamos existir.
É ter coragem para buscar aquilo que jamais se pode ter.
É ter força para com isso viver e assim não desistir.
É almejar certeza onde existem apenas dúvidas.
É ganhar e perder chão.
É ser e não ser e dele não desvencilhar-se.
É estupor.
É agir sem alcance.
É caminho sem volta.
É abandono.
É humano e desumano.
É arte final.
O amor nada é a não ser aquilo que se espera que seja, pois perfeitos não somos no ato de amar, mas este em essência, perfeito é e isto é o suficiente para mantê-lo vivo.


terça-feira, novembro 29, 2005

Pelas Ruas

O dia hoje amanheceu ensolarado e isso animou as pessoas em geral, até porque não seria ele o primeiro dia radiante.
Quando sai de casa hoje cedo, as pessoas me pareceram todas muito satisfeitas, alegres, felizes, radiantes, sei lá o que mais... mas pra que tudo isso? Existe algo estranho pairando no ar, parece que uma onda de incompatibilidade vem rondando os espaços que separam os meus pés do chão. 
As escadas são-me ultimamente insuportáveis, por isso prefiro evita-las ao máximo.
Quando entro no ônibus e me sento, torço para que o trajeto dure o máximo que puder, gostaria que se esgotassem as horas e eu ainda permanecesse ali dentro só olhando os carros, pessoas e lugares passarem bem rápido, provocando imagens coloridas e disformes. Meu dia não teria nexo. 
A falta de continuidade e sentido me faz rir barbaridades, nem fome chego a sentir, apenas sede.
Acredito que tenham colocado alto-falantes nas ruas do Rio de Janeiro, pois por todas que passo a música que toca é sempre a mesma, com aquelas vozes por vezes desagradáveis de coral de igreja.
Porque os donos do famoso sistema, de que todos tanto falam mas não sabem bem o que é ou do que se trata, não desligam essa música incessante e nos deixa em paz? Ninguém se incomoda? Esse som é insuportável!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Limusque, um lugar sem coordenadas geográficas

Um lugar chamado Limusque é vasto e degradado. É o paraíso arruinado no qual me refugio e que persiste em existir em sua confusa localização.

Não sei bem o que dizer em minha primeira postagem. Farei então uma breve narrativa de um fato recente, talvez o responsável por este blog ter nascido.

Dormi às dez da noite, algo que foge completamente à minha rotina, pois sempre durmo muito tarde, isso quando consigo dormir. Acordei sobressaltada por um pesadelo; infelizmente, eles assolam meu sono desde a infância.

Olhei o relógio: 3h05 da madrugada.

Levantei-me. Nem me dei ao trabalho de acender a luz. Fui ao banheiro lavar o rosto e me assustei ao ver minha própria imagem refletida no espelho. Paciência, se é este rosto sem expressão que possuo.

Fiquei de pé no escuro por tempo indeterminado até decidir reagir. Como já havia perdido o sono, sentei-me diante do computador e resolvi fazer algo que me distraísse. Foi aí que criei um blog.

Se o manterei, não sei. Mas isso não importa. O fato é que o tempo passou, o dia está por nascer. Já ouço o canto dos pássaros.