domingo, março 23, 2025

Diga que basta, pela caneta que escreve

A todos aqueles que já se arriscaram a escrever,
a extrair de si o fluido da vida e manchar, com lágrimas, o papel,
a cavar, do âmago do ser, palavras há muito calcificadas no fundo,
a expelir o ar comprimido nos pulmões que retêm o grito,
a bombear o sangue do coração que carrega o choro contido.

Quantas vezes, alvo de zombarias.
Por vezes, vítima de si mesmo.

Diga que basta, pela caneta que escreve.
Diga que chega, pela confissão de si mesmo.

 

sábado, março 22, 2025

Envio a mensagem ao invisível e indivisível de cada átomo meu, sem esperar resposta.
Escrevo apenas para não me afogar.

Navegando em devaneios

Minha mente é como uma folha em branco.
Nela, sopra um assovio baixinho, como uma brisa suave que toca o rosto devagar, sinto o frescor da chegada.
Percebo o movimento dos pensamentos se aproximando aos poucos, moldando a forma que irão tomar e compondo as palavras.
Pouco a pouco, emergem à consciência, emanados do mais profundo oceano abissal das emoções.
Deles brota um som inaudível que viaja ao lado da luz e penetra a camada das sensações, trazendo clareza e beleza ao meu entendimento.
Minha voz liberta a natureza efêmera desses devaneios na superfície das águas e os deixo vagar livres, leves e soltos, até encontrarem uma margem onde possam atracar.
Sigo navegando em devaneios.

sexta-feira, março 21, 2025

Ecos de mim

Chamei por Deus —
e a voz que ouvi foi a minha.
Mirei as sombras bruxuleantes —
e quem vi fui eu mesma.
Do vento, o assovio —
e o arrepio era meu.
Da chuva, a queda —
e o choro era meu.
Do sol, a luz —
e o calor era meu.
Do solo, a fertilidade —
e a vida era minha.

Movimento da criação

O que me move, definitivamente, é a criação:
Poesia que se desenha no caminho, estrada, trilho,
na imaginação – imagem e ação.
Me teletransporto livremente,
na mente, ilimitadamente.
A gravidade não exerce força.
Espírito.
Disperso.
Imerso.

quinta-feira, março 20, 2025

Poesia e melodia

Sou a caneta que escreve,
você é o lápis que desenha.

Sou poesia,
você é melodia.

Sou verbo,
você é ação.

Sou rio doce e tranquilo,
você é mar salgado e revolto.

quarta-feira, março 19, 2025

Contemporânea

A realidade virtual esboça uma vida projetada para fora.
Ela reflete, assim como os prédios espelhados de nosso tempo, uma imagem invertida, subvertida, por vezes pervertida.
O reflexo se limita aos espelhos, a um eu em busca de aprovação externa.
A reflexão, a auto-reflexão, reduz-se ao insuportável: um espaço vazio e desabitado.
Tempo contemporâneo.
Corações de titânio.
Terra plana.
Mundo insano.