O nosso carnaval tornou-se a beleza da alegria forjada, desfilando nas redes sociais. Ele é o samba da superficialidade das relações humanas, a busca incessante por uma plateia que aplauda nosso mergulho em uma piscina rasa de aparências. O que se faz e o que se permite ser não ultrapassa a régua dos olhares e opinião pública.
O carnaval, fantasiado e
transfigurado, não questiona as máscaras sociais; ao contrário, convida ao seu
uso: a satisfação simulada da exposição nas redes. Os papéis desempenhados pelas pessoas estão sempre à procura
de uma audiência. O que se é quando ninguém vê perdeu a importância em um mundo
regido pelo senso geral.
Do contentamento no sentimento
coletivo dessa festa, restou apenas uma satisfação moldada pela exibição de
retratos ilusórios.