sexta-feira, abril 18, 2025

Realidade virtual

O mundo virtual se assemelha a um oceano, com movimentos de ir e vir das ondas.
A todo momento, uma nova onda quebra na praia —
mas, no fundo, é feita da mesma água que não sacia a sede.

Nos permitimos apenas a superfície,
onde todos se encontram,
mas ninguém se vê,
com medo de nos afogarmos nas profundezas do esquecimento.

Casas vazias

Ficamos ausentes de nós mesmos.
Somos como casas cujas fachadas impressionam de tão lindas,
mas que, por dentro, são vazias, impessoais e desabitadas —
meros caixotes vendáveis, padronizados.

Não se encontra calor humano.
Tudo tem se tornado apenas inúmeras imagens,
representações de um ideal impossível de alcançar.

Quando alguém ousa realizar, na prática, essa fantasia vendida,
percebe que tudo não passa de um sonho,
e a verdade se torna difícil de suportar.

Então fugimos, outra vez,
para o abrigo confortável das telas, 
onde as quimeras são possíveis — ao menos na imaginação.

Mundo das mentes que projetam,
mas nunca realizam.