Numa tarde de quarta-feira,
sentei-me sobre a mureta de um prédio corporativo no bairro da Urca, no Rio de
Janeiro, e fiquei observando o movimento das pessoas que iam e vinham
apressadas. Senti-me, ao mesmo tempo, próxima e infinitamente distante da realidade
que via em efeito time-lapse daquela gente.
Imaginei quais pensamentos
inundavam suas cabeças, o que se passava em seus corações acelerados. Pensei no
som de suas vozes adiantadas em velocidade 2x, em como os observava como
objetos de estudo e em como sou, junto com eles, personagem deste ato da vida.
Naquele dia, meu olhar seguia na
direção do horizonte, com visão de longo alcance. Alguns olhares permaneciam
estáticos, congelados na tela do smartphone, conectados a tudo aquilo que não
tinham. Outros pareciam vazios, perdidos no espaço em devaneio.
De repente, zeitgeist, o
espírito do tempo, soprou em meu ouvido uma mensagem: Busque! Sua voz
robótica reverberou eternamente, em uníssono com meus inúmeros pensamentos de
programação padronizada.
Desviei o olhar por um segundo e,
no meu ecrã ocular de alta resolução, surgiu a mensagem: Estabelecendo
conexão... Ao lado, uma pequena ampulheta girava, indicando o tempo de
espera para o desempenho das tarefas do sistema operacional.
A mensagem vinha do coração, hardware
de linguagem misteriosa, executando instruções codificadas, transcritas em
pensamento intuitivo: Conecte-se com o que você já tem!