quinta-feira, agosto 24, 2006

O reflexo das flores

Acordei e senti que nada havia mudado; tudo se repetia. Todos pareciam ser os mesmos, de horas e milênios atrás.

Eu queria gritar. Minhas mãos tremiam, meu corpo estava cansado — talvez não apenas ele.

Vi-me caminhando em um imenso jardim, repleto de flores, todas elas cheias de vida e, por sua vez, de alma. A imagem foi se dissipando; as cores misturavam-se, e eu já não conseguia distinguir uma da outra.

As flores se uniram, gerando uma só flor, que continha todas as outras em seu ser. Ela brilhava como o sol no zênite. Então percebi que possuía milhares de pétalas e que, em cada pétala, havia um espelho refletindo centenas de imagens iguais à sua. A unidade continha em si a multiplicidade.

Pareciam idênticas, mas, se me aproximasse um pouco mais, veria que eram únicas.

Arranquei-a da terra e contemplei sua beleza. Pude senti-la. Acreditei poder tê-la comigo para sempre, mas logo percebi que algo nela escapava ao meu controle. Seu bem mais precioso era sua vida, que se esvaía em minhas mãos.

Isso, eu não poderia deter. Ela estava partindo para além do meu ser.

És minha, pois, do contrário, não desabrocharia.
És minha, mas foge ao meu entendimento.
És minha, mas não me pertence.
És minha, mas ultrapassa meus limites.
És minha, mas ascende a um posto que não poderei tomar.
És minha, mas caminha onde meus pés jamais poderão tocar.

Afirmo-te seres minha, mas não o és.
És alma, e a ninguém pertencerás.

terça-feira, junho 06, 2006

Penso, mas nem sei...

Eu pensei... me lembrei ... matutei, mas nem sei...
Sabe quando a gente assim meio que se sente não sei como, algo assim sem expressão...
Você olha, mas nem vê as coisas que te rodeiam porque na hora você não esta presente... de um jeito que você não consegue se situar.
Daí as coisas se repetem e se repetem milhares de vezes na sua cabeça... o tempo passou e você nem sequer notou isso acontecer... o anoitecer, o amanhecer, onde estão as diferenças?
Seria justo se estivessem nas cores ou nos cheiros, mas não estão só ai! Maldito seja! Onde estão então?
Do que estou a falar?
Nem sei, apenas me lembrei, mas para dizer a verdade não me lembrei, só não consigo me esquecer muito menos explicar. Pra que tudo isso?
Que diabos! Não devo eu explicações do porque de minha loucura momentânea em não parar de pensar, coisas várias ou uma só coisa que se faz várias.
Desisto de entender ou racionalizar tais cousas, resta-me apenas viajar dentro de mim mesma já que não posso fazê-lo de outra forma.


terça-feira, maio 30, 2006

Não sou eu quem esta aqui

E agora sou eu quem deve dizer ou quem sabe divagar...
Mas não estou aqui...
Estou ai, pois era onde queria eu estar...
Não faço questão de me definir, pois deste modo estaria optando por um modelo que ainda poderá sofrer transformações.
Então não me diga o que sou e não direi o que tu és.
Porque cargas d'água tenho que existir?
Eu poderia dispersar-me como luz e de uma vez por todas estar em tudo e em nada mais.
Assim não menos deslocada e perdida a me mover com infinita velocidade.

sexta-feira, maio 19, 2006

Mandruvás e Taturanas!

Minha observação parte do pressuposto de que lagartas, por terem naturezas diferentes, recebem nomes distintos e, por isso, merecem ao menos um mínimo de consideração.

A maioria das pessoas do ambiente em que convivo, INFELIZMENTE, não sabe diferenciar um mandruvá de uma taturana! E digo mais: nem sequer sabem o que esses nomes significam! Talvez eu esteja sendo muito chata ao chamar atenção para um detalhe aparentemente pequeno (que, na verdade, não considero tão pequeno assim), mas esses pequenos seres, muitas vezes desprezados, que habitam diversas árvores, possuem um papel totalmente relevante! Afinal, todos adoram e admiram profundamente a beleza das borboletas, que antes de se tornarem esse ser tão apreciado foram lagartas.

As lagartas, com sua DEVIDA importância no meio ambiente, distinguem-se umas das outras, separando-se basicamente em dois grupos classificatórios:

Grupo nº1: Os MANDRUVÁS – lagartas desprovidas de pelos e que, por isso, não possuem veneno; portanto, são inofensivas.

Grupo nº2: As TATURANAS – lagartas que possuem pelos e que, por meio deles, expelem veneno. A potência do veneno varia de taturana para taturana, mas, em geral, causa queimaduras.

Espero ter contribuído para a conscientização das pessoas sobre a situação de desprezo em que vivem as taturanas e os mandruvás. Pela atenção, obrigada.


segunda-feira, maio 01, 2006

O negócio agora é galáxia

Pessoal, o negócio agora é galáxia!
Quando comento sobre a galáxia com as pessoas, muitas me cortam logo de cara, para meu desprazer, e dizem: "A galáxia é só para cientistas loucos, além disso é grande e longe demais para discutirmos sobre ela, fora que eu não sei nada sobre galáxias."
Devo discordar dessa afirmação idiota e mesquinha, porque, querendo ou não, estamos na galáxia, e o fato de pouco ou nada sabermos sobre ela não deveria causar tamanha omissão.
Faça o favor, então, de pelo menos olhar para cima e ver o que está além deste planetinha em que vivemos, desse mundeco em que nos posicionamos ao longo do nosso dia a dia e de nossa rotina (só de ouvir essa palavra já sinto náuseas).

Certa vez, quando eu estava matutando com meus botões sobre o infinito, lembrei-me de uma passagem do livro de filosofia O Mundo de Sofia, em que o filósofo dizia a Sofia que muitas das estrelas que hoje vemos brilhar no céu não existem mais, pois a distância dessas estrelas da Terra é tão grande que sua luz leva milhares de anos-luz para atingir nossos olhos.
O que hoje conseguimos ver seria, então, o passado do céu. Claro que isso se refere às estrelas com distâncias gigantescas da Terra!

Bom... pelo menos a Lua ainda está no presente.
O chão já está gasto, o horizonte ainda muda e mudará milhares de vezes. Olhe para frente e você verá isso acontecer. Se olhar para cima, só Deus sabe o que encontrará; corre o risco de tropeçar, mas pra que evitar? Não faço ideia do que estou dizendo, mas que se dane! Quem não olha, não vê, e quem não vê, não entende.

Não entendo bulhufas sobre a tal teoria das supercordas ou sobre os supostos universos paralelos, mas ainda assim me pergunto sobre eles. Seria uma busca inútil a minha por respostas intergalácticas? Isso me lembra filmes espaciais, eu adoro!

Eu e mais um monte de gente dizemos: sei lá. Mas sabe lá aonde? Onde fica isso? Se alguém souber onde fica o "lá" do "sei lá", me diga, por favor, pois lá eu devo saber de alguma coisa.

terça-feira, abril 18, 2006

Quando se tem uma bicicleta tudo fica diferente

Quando se tem uma bicicleta, tudo fica diferente... Só tendo uma para saber a sensação. Como dizem por aí, depois que se aprende a andar de bicicleta, nunca mais se esquece. Talvez tenham mesmo razão... Antes uma bicicleta do que qualquer outra coisa. Veja bem, eu disse antes e não no lugar. Ela é ideal e pode se adequar a qualquer ambiente e pessoa. Não sei bem se é assim que funciona, mas ter uma bicicleta não é tão simples nem tão complicado quanto ter uma ideia.

Se você tem uma bicicleta, pode vir a ter disposição para pedalar, e, pedalando, pode vir a ter ideias – ou apenas pensar em coisas sem muita importância, como, por exemplo, parar quando o sinal fechar... Quanto às ideias, pense nisso você mesmo(a) quando estiver pedalando por aí: conversas triviais, confissões de cansaço e falta de fôlego, mas, ainda assim, nos sobra empolgação.

Andar de bicicleta não seria bem mais do que apenas pedalar?

Pense em quantas pessoas tiveram ideias, refletiram sobre algo que estava em sua cabeça ou se perderam em pensamentos diversos. A importância de tudo isso na vida de quem quer que seja é relativa... E, claro, como já dizia Einstein: "De absoluto, só a relatividade."

Estava cá, pensando com meus botões, sobre como tudo nos escapa de repente: a distância percorrida, assim como o tempo gasto ao pedalarmos, tudo além do horizonte, que por inteiro não podemos sorver com os olhos. Afinal, o cérebro não poderia armazenar tanta "informação" ao mesmo tempo.

Nestas divagações, não existem o branco ou o preto; não há linha de demarcação entre um pensamento e outro ou entre uma imagem e outra. O que existe é a distância percorrida em medidas como metro, quilômetro... O tempo gasto em segundos, minutos, horas... A energia utilizada pelo corpo que guia a bicicleta, dentre outras coisas.

Einstein também tinha uma bicicleta e estava sujeito às mesmas leis físicas a que cada um de nós estamos. Mas Einstein foi o que foi, e às vezes me pergunto: o que será que ele pensou, uma única vez, enquanto andava de bicicleta? Para essa pergunta, jamais encontrarei uma resposta plausível. E, como não me canso de citá-lo, farei isso novamente quando ele diz: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento." Nesse caso, cá ficarei apenas a imaginar seus pensamentos.


Como a música nos move daqui a qualquer lugar, lembrei-me de uma composta por Sid Barrett, ex integrante da banda Pink Floyd, se intitula Bike, segue a letra logo a baixo:

I've got a bike.
You can ride it if you like.
It's got a basket, a bell that rings and
Things to make it look good.
I'd give it to you if I could, but I borrowed it.
You're the kind of girl that fits in with my world.
I'll give you anything, ev'rything if you want things.

I've got a cloak.
It's a bit of a joke.
There's a tear up the front.
It's red and black.I've had it for months.
If you think it could look good,
then I guess it should.

I know a mouse, and he hasn't got a house.
I don't know why.
I call him Gerald.
He's getting rather old, but he's a good mouse.

I've got a clan of gingerbread men.
Here a man, there a man,
lots of gingerbread men.
Take a couple if you wish.
They're on the dish.

I know a room full of musical tunes.
Some rhyme, some ching.
Most of them are clockwork.
Let's go into the other room and make them work.

Essa música me lembra a empolgação de uma criança, talvez a intenção nem seja essa...

Todas estas ideias rodeadas pelo fato de se ter uma bicicleta podem transparecer algo idiota de minha parte ou da de quem compartilhe das mesmas, seria então um consolo saber que estamos todos fadados a este papel. E lá vou eu de novo reavivar as palavras de Einstein e finalizar logo com isso: "Há duas coisas infinitas; o universo e a tolice dos homens."

quarta-feira, abril 12, 2006

Os campos são verdes com ou sem Absinto

Primeiro, a bebida.
Dela, um sabor meio amargo na língua, uma dormência nos lábios, um perfume no hálito, uma leveza no corpo.
Pequenos voos, pensamentos vazios, o tempo parado e perdido, verdades roubadas, queda livre e a perda de si.

Seria a fada verde? Não saberia dizer.

Se alguém nos chama, não ouvimos; e, se ouvimos, certamente não é a verdade.

Vamos por ali, onde os campos são livres e verdes, vazios e frescos. Vamos até lá.
Vamos correr até cair, até perdermos o fôlego e nos curvarmos.

Com ou sem a fada, com ou sem a bebida lúdica, com ou sem loucura, os campos lisos permanecem onde estão.
Eles esperam por pés que os toquem, por aqueles que corram sobre seu verde, que se curvem e caiam de cansaço e depois se levantem, livres e leves, para correr uma vez mais.

Os campos estão lá, à sua espera, e você está à espera das aventuras que eles propõem.

Aguarda-te o silêncio do verde, e o verde aguarda teus gritos e suspiros em busca de liberdade.
Eles modificam nosso olhar, mesmo que recaia sobre as mesmas coisas de sempre.
Oferecem o que você quiser, e você, o que oferece a eles?

Eles não desistem de você, embora você desista deles.
Não podem esperar mais nenhum segundo sequer, mas ainda assim esperam.