Quando a Torre de ilusões desmorona, não há mais onde se esconder. O que surge é a exposição: estar desabrigado das certezas, diante de um espaço vazio.
O impulso imediato é preenchê-lo. Mas com o quê?
Com o já conhecido, que agora parece inadequado e antigo?
Ou com algo além, cuja forma ainda não sabemos nomear?
Raramente cogitamos habitar o vazio. Preenchê-lo de nós mesmos. Preferimos a busca constante, o movimento contínuo. Aprendemos a conquistar, mas não a sustentar.
Sustentar é mais difícil do que conquistar. A ilusão não suporta permanência. A mão que persegue o que foge mantém o corpo sempre fora de eixo.
Giramos, retornamos aos mesmos lugares, até que o cansaço impõe a pergunta:
para onde não preciso mais voltar?
A partir daí, algo se organiza: clareza sem dureza, sentimento sem perda de eixo, ação sem impulso cego. Termina o tempo de agradar e provar. Começa o tempo de nomear, escolher, sustentar e silenciar.
Aqui não o convidei para caminhar, mas para parar.
O corpo diz: não me empurre para o que não sou mais. Sê fiel, mesmo que doa.