Não é o Cristo divino
que me atravessa.
É o homem
que cai
sob o olhar da mãe.
Ela acompanha.
Ama.
Mesmo na dor.
O homem que tropeça,
assistido pelo amor.
Vulnerável,
acolhido
pela dignidade
que permanece de pé.
O Cristo que me abraça
e me acolhe
não está crucificado.
Está humano,
livre do sacrifício.
Vive no gesto comum:
no carpinteiro,
no menino que ri,
na verdade dita em voz alta,
no choro,
na festa,
no olhar que reconhece
a injustiça.
Ele mora
no humano.
E o ama.
Jesus sofreu
porque viveu.
Amou.
Esteve entre nós.
O calvário
foi apenas o recorte
de um homem
que atravessou
uma existência inteira.
Desço sua dor do pedestal.
Guardo no coração o amor.