Sinto, por vezes, uma sensação que me invade, como o despertar de um vulcão adormecido, prestes a entrar em erupção. O calor aumenta de dentro para fora, em ondas, como um magma precipitando-se do centro da Terra. Sobe uma inquietação, uma aflição que me tira o sossego, situada entre a dor e o prazer ansiado de algo que deseja arrastar o que está fora para dentro, um ímã a puxar o movimento que quer nascer.
Lava quente, líquido incandescente, libido em estado bruto, desprovida de sentido, agita-se buscando escape, liberando a tensão do conteúdo denso.
O movimento ascendente da energia que se evoca e se espalha de baixo forma uma pressão que irrompe em um estampido no ouvido, sensação similar à pressurização sentida em grandes altitudes, seguido de um zumbido insistente que se dilui aos poucos à medida que libero o fluxo de pensamentos em palavras e ideias textuais.
Quando o conteúdo toma forma e sentido à medida que se solta, vejo sublimados e canalizados os impulsos crus, vindos do caos não integrado do meu poço fundo. Direciono e miro o alvo de uma energia disforme que poderia muito bem me destruir ou dispersar, com algum esforço apreendido ao longo do tempo.