As camadas sedimentadas do inconsciente coletivo alimentam nossas ações, muito além do que conseguimos conceber conscientemente.
Negue, afaste-se, rejeite, julgue como ignorância ou crendice ultrapassada; diga o que quiser sobre o saber daqueles que nos antecederam. Quanto maior o desprezo, mais profunda a influência que age nos bastidores de nossos atos.
Palavras vazias de emancipação escondem heranças impressas no sangue e na carne de nossos corpos modernos. Tão nossos, individuados, espíritos do agora, carregando o amanhã que já se passou.
Nossa animalidade move passos disfarçados de propósitos infinitos. Almas confinadas ao curral da mente buscam algo além de sua essência primitiva.
Uma geração que avança apenas no tempo cronológico, sem perceber suas origens, segue loucamente rumo ao abismo que nos distancia uns dos outros e de nós mesmos. Cavamos a terra longe das raízes, até o solo rochoso e infértil da dualidade crua.
Dentro de cada indivíduo, existem duas forças: uma que deseja se entregar e outra que reprime e repete. São igualmente poderosas, mas quando se combatem, nos fazem oscilar. Movemo-nos como carros com o freio de mão puxado.
O movimento oscilatório é como o lançar de uma moeda: duas faces inseparáveis se alternam a cada giro no ar. À primeira vista, estamos entregues ao acaso, sem saber qual lado tocará o chão. Mas, quando a consciência se eleva, o resultado imediato perde importância. A moeda deixa de ser apenas “cara ou coroa” e revela-se como unidade. Quem se coloca acima do jogo invisível da aleatoriedade percebe que os opostos não precisam se anular, mas se complementar e cooperar, concedendo-nos liberdade ao integrar ambos em um mesmo centro, impulsionando um movimento constante.
Volto-me profundamente para dentro de mim, explorando e iluminando a escuridão. Nessa incursão surge o retorno, a ânsia de me unir aos outros, me envolver, me espalhar e misturar-me à humanidade. Oscilo como estrela pulsante, expandindo e contraindo ritmicamente, até buscar estabilizar-me em meu núcleo.