Permaneço sempre à porta,
na soleira.
Pés fincados no chão —
estacas cravadas,
firmes, imóveis.
Dos olhos,
expectativa,
carregados de futuros que não chegam,
jorrando angústias
infinitas.
Na garganta,
a voz engasga,
choro engolido,
sufocado.
No peito,
o peso do laço —
novelo embolado,
com pontas soltas
e perdidas.
Na boca do estômago,
dor funda que perfura,
ferida aberta,
ácida,
corrosiva.
Na mente,
pensamento insistente,
permanente.
Mato-me silenciosamente,
pesando sobre mim o castigo
que evito sofrer
pela mão alheia.
Controlo eu mesma
minha dor e julgamento.
Finalizo a ilusão que comecei,
esticando-a ao infinito,
em meu papel
de vítima...
e algoz
de minha própria vida.