Não há bússola, nem constelações visíveis. Nenhum mapa pode guiar por esse
espaço de dentro. Aqui, é preciso render-se a uma força invisível, ancestral e
implacável — uma presença silenciosa e insondável que me conduz.
Em prece muda, invoco um poder
psíquico do fundo do poço interior — e ele vem: uma sombra indivisa em mil
fragmentos. Era um campo minado, cuja travessia exigia cuidado e respeito, como
a marcha de um soldado em formação, num ritmo sincronizado e coeso.
Aqui, aconselha-se agir com
cautela, como quem pisa na cauda de um tigre. A prudência é a única armadura
possível diante dos titãs, para não ser engolida de uma vez pela própria fera
ou perder-se no oceano abissal do inconsciente.
O poder interior suplanta o exterior; o núcleo se sobrepõe à superfície; o inconsciente supera o consciente — um vilarejo não pode guerrear com um império.
A mim cabe a reverência ao fogo sagrado da criação, onde qualquer faísca pode
ser o gatilho que inflama a chama e se alastra pela plantação.