domingo, maio 04, 2025
O cântico das oposições
quinta-feira, maio 01, 2025
Diálogo entre oceanos
Cá estamos nós dois, permitindo-nos navegar em devaneios no mar um do outro. Nossos pensamentos emergem, emanados do mais profundo oceano abissal das emoções. Nossas vozes se traduzem em palavras na superfície das águas, e as deixamos vagar livres, leves e soltas, até que encontrem, em nossas margens, um porto seguro onde possam atracar os nossos sentimentos.
Soberania interna
quarta-feira, abril 30, 2025
Livra-me
Esquecidos
nesse mar de vozes que clamam por aprovação,
vamos nos apagando de nós mesmos.
Habitamos a superfície,
onde todos se veem, mas ninguém se enxerga,
com medo de mergulhar
e nos perder nas profundezas do esquecimento.
Quem sou eu,
se não há quem saiba,
ou chame
pelo meu nome?
terça-feira, abril 29, 2025
Entre a Imagem e a Verdade
Em tempos de validação externa, erguem-se fachadas imponentes como castelos — harmoniosos por fora, mas caóticos por dentro. À primeira vista, parecem conter força e significado, mas basta adentrar suas muralhas ilusórias para encontrar um vazio profundo: um salão desabitado de autenticidade. Ali, ecos de vozes alheias moldam imagens de padrões repetidos, cuja pressão do coletivo ofusca a centelha do ser.
Nesse labirinto de espelhos, buscamos incessantemente o reflexo do outro para
nos reconhecermos, enquanto nos esquecemos de habitar nossa própria imagem.
Um simples peão, à margem do tabuleiro, pode, um dia, tornar-se rei — não pela
aclamação das massas, mas pelo despertar do soberano interior. Sua coroação não
acontece sob aplausos, mas no silêncio sagrado da alma que, enfim, aprende a
reinar sobre si mesma, assumindo para si o próprio poder.
domingo, abril 27, 2025
Solidão coletiva
Em nossa sociedade narcísica,
erguemos muros invisíveis ao redor de nós mesmos, transformando-nos em
fortalezas de segurança máxima contra tudo e todos. Lá dentro, sonhamos com uma
liberdade que nos negamos a viver. Divididos entre juízes e vítimas — por
aparência, posição social ou qualquer outro critério ilusório — seguimos rumo a
solidão coletiva.