Olho rostos desconhecidos
como quem contempla uma pintura:
artista invisível que tanto me inspira,
autor de inúmeras obras.
Desenha formas infinitas
que dão vida à minha imaginação —
traços humanos que ilustram
minha inspiração abstrata.
Sou demasiado humana —
peço perdão por buscar tangibilidade no amor.
Mas é humana a voz que materializa meus pensamentos,
é de carne o meu entendimento,
é sanguíneo o fluxo de minhas ideias.
Estou atada à perspectiva da minha natureza,
fadada à minha condição.
Por mais que eu busque compreensão no que está além,
me encontro, inevitavelmente, inserida
na humanidade que me forma.
Escapam-me realidades acima
da mortalidade que me define.
Peço perdão pela dualidade
que me significa diante das coisas.
Realizar a travessia
só me parece possível
por meio do espírito que anima esse corpo,
distante das barreiras materiais
deste mundo tridimensional.