segunda-feira, abril 07, 2025

Trincheiras do eu

Pessoas machucadas, por vezes, são como lâminas afiadas — usadas para autodefesa ou ataque — sempre à procura de estancar o próprio sangramento. Nessa luta eterna contra tudo e todos, a verdadeira batalha é travada contra si mesmas, e o guerreiro segue a vida deixando um rastro de sangue — seu e de suas 'vítimas' — que o persegue como um fantasma, até que decida, ele próprio, tratar de seus ferimentos.

Crepúsculo psíquico

Enquanto estivermos protegidos pelas muralhas da coletividade, estaremos seguros dos perigos do terreno desconhecido da individuação.
Nossa face pacífica, cuja voz é suave — quase um sibilo harmônico na multidão — carrega dentro de si uma feição desfigurada, desesperada, cuja voz é grave — quase um grito gutural de um titã adormecido e oprimido.
Na superfície, reina a luz, a paz; nas profundezas, reina a escuridão, o caos para o qual fechamos os olhos.

sexta-feira, abril 04, 2025

Subsistência 1 X Existência 0

A busca pela sobrevivência e pela subsistência despende uma grande quantidade de energia, drenando parte da força que poderia nos impulsionar rumo às camadas mais profundas de nossa psique. O tecido social forma uma teia que nos envolve coletivamente na materialidade última, turvando nossa visão para as inúmeras nuances sutis de nossa existência. Segue o jogo da vida, com um placar imune às justiças, opiniões e crenças incontáveis. 


quarta-feira, abril 02, 2025

Incompleta

Infinitamente incompleta.
Hoje os limites colapsam e os horizontes se expandem.
O que quer que nos tenha feito ver, um espelho diante de si — caminho sem volta.

domingo, março 30, 2025

O peso da guia cega

É sempre mais fácil dizer o que fazer quando a pele rasgada não é a sua.
Ser farol, quando os olhos perdidos não são os seus.
Mas guiar o outro, quando não se pode conduzir a si mesmo, é meramente angariar uma plateia de cegos rumo à perdição.


quinta-feira, março 27, 2025

Verbo e Alma

 A arte é minha morada, 
o mundo, meu interior. 
A escrita é meu fôlego,
a palavra, onde me faço coração.

Vira-lata Caramelo

Eis que ela corria no encalço de seu cão, que fugia em liberdade, só folia!
A vira-lata virava a esquina, euforia.
Orelhas ao vento, harmonia.
Nos olhos, pura alegria.
Em plena estripulia!
Latidos estridentes, só energia.
As patas no asfalto, sinergia.
Palpita o coração em melodia.
Caramelo, pura simpatia!