terça-feira, março 25, 2025

Terra dos inefáveis

Santa casa dos impossíveis 
Eu moro na rua dos invisíveis 
No bairro dos imprevisíveis 
Cidade dos indestrutíveis 
Nação dos intransponíveis 
Sob o céu dos infalíveis

Jornada interior

A pessoa mais difícil de convencer é a si mesma.
O trabalho mais difícil de realizar é o interno.
A fuga mais fácil de executar é a de si mesmo.
A libertação mais difícil de conquistar é a própria.
O maior desafio é trilhar a jornada interior.

segunda-feira, março 24, 2025

Mariposas

Estamos sempre em busca de luz, mas e se a única luz que desejamos for artificial?
Quantas vezes voamos em direção a brilhos que não aquecem, caminhos que nos atraem, mas não nos esclarecem de verdade?
Hipnotizados por uma falsa ideia de iluminação, por promessas vendáveis, tornamo-nos meros consumidores de luz.
Nem toda luz ilumina, e nem toda escuridão significa perda. Evitamos confrontar nossas sombras, presos a uma mentalidade pueril, mas esse movimento escapista nos torna ignorantes de nós mesmos.
As sombras estão associadas à luz. Depende dela para se projetar.
Que saibamos diferenciar o brilho que guia daquele que apenas cega.

domingo, março 23, 2025

Rumi

Rumi diz: "O amor faz a terra tremer", 
e Rumi faz a nossa alma tremer. 
Um milhão de rúpias por um pequeno rubi, 
mas nem cem milhões de rúpias têm o valor de um Rumi.

- Homenagem ao poeta Rumi. 

Diga que basta, pela caneta que escreve

A todos aqueles que já se arriscaram a escrever,
a extrair de si o fluido da vida e manchar, com lágrimas, o papel,
a cavar, do âmago do ser, palavras há muito calcificadas no fundo,
a expelir o ar comprimido nos pulmões que retêm o grito,
a bombear o sangue do coração que carrega o choro contido.

Quantas vezes, alvo de zombarias.
Por vezes, vítima de si mesmo.

Diga que basta, pela caneta que escreve.
Diga que chega, pela confissão de si mesmo.

 

sábado, março 22, 2025

Envio a mensagem ao invisível e indivisível de cada átomo meu, sem esperar resposta.
Escrevo apenas para não me afogar.

Navegando em devaneios

Minha mente é como uma folha em branco.
Nela, sopra um assovio baixinho, como uma brisa suave que toca o rosto devagar, sinto o frescor da chegada.
Percebo o movimento dos pensamentos se aproximando aos poucos, moldando a forma que irão tomar e compondo as palavras.
Pouco a pouco, emergem à consciência, emanados do mais profundo oceano abissal das emoções.
Deles brota um som inaudível que viaja ao lado da luz e penetra a camada das sensações, trazendo clareza e beleza ao meu entendimento.
Minha voz liberta a natureza efêmera desses devaneios na superfície das águas e os deixo vagar livres, leves e soltos, até encontrarem uma margem onde possam atracar.
Sigo navegando em devaneios.