sábado, março 22, 2025

Navegando em devaneios

Minha mente é como uma folha em branco.
Nela, sopra um assovio baixinho, como uma brisa suave que toca o rosto devagar, sinto o frescor da chegada.
Percebo o movimento dos pensamentos se aproximando aos poucos, moldando a forma que irão tomar e compondo as palavras.
Pouco a pouco, emergem à consciência, emanados do mais profundo oceano abissal das emoções.
Deles brota um som inaudível que viaja ao lado da luz e penetra a camada das sensações, trazendo clareza e beleza ao meu entendimento.
Minha voz liberta a natureza efêmera desses devaneios na superfície das águas e os deixo vagar livres, leves e soltos, até encontrarem uma margem onde possam atracar.
Sigo navegando em devaneios.

sexta-feira, março 21, 2025

Ecos de mim

Chamei por Deus —
e a voz que ouvi foi a minha.
Mirei as sombras bruxuleantes —
e quem vi fui eu mesma.
Do vento, o assovio —
e o arrepio era meu.
Da chuva, a queda —
e o choro era meu.
Do sol, a luz —
e o calor era meu.
Do solo, a fertilidade —
e a vida era minha.

Movimento da criação

O que me move, definitivamente, é a criação:
Poesia que se desenha no caminho, estrada, trilho,
na imaginação – imagem e ação.
Me teletransporto livremente,
na mente, ilimitadamente.
A gravidade não exerce força.
Espírito.
Disperso.
Imerso.

quinta-feira, março 20, 2025

Poesia e melodia

Sou a caneta que escreve,
você é o lápis que desenha.

Sou poesia,
você é melodia.

Sou verbo,
você é ação.

Sou rio doce e tranquilo,
você é mar salgado e revolto.

quarta-feira, março 19, 2025

Contemporânea

A realidade virtual esboça uma vida projetada para fora.
Ela reflete, assim como os prédios espelhados de nosso tempo, uma imagem invertida, subvertida, por vezes pervertida.
O reflexo se limita aos espelhos, a um eu em busca de aprovação externa.
A reflexão, a auto-reflexão, reduz-se ao insuportável: um espaço vazio e desabitado.
Tempo contemporâneo.
Corações de titânio.
Terra plana.
Mundo insano.

terça-feira, março 18, 2025

O ciclo

De mim, restou a nostalgia dos vitrais coloridos de outrora.
Do real, sopra uma brisa quente do verão das sensações.
As imagens que se desenrolam na memória misturam-se a devaneios de um tempo que não aconteceu.
Lembro-me de ter tanto a dizer; hoje, predomina o silêncio diante do tempo passado, atual e vindouro.
A luminosidade do dia, que se altera com o movimento orbital da Terra, acompanha a rotação da consciência em torno do inconsciente, trazendo luz aos pensamentos e sentimentos que vêm à tona.
Tudo isso parece dizer do que sou feita: o alicerce sobre o qual se ergueu o castelo de cartas do que sou ou penso ser.
Estou eu fadada ao movimento cíclico a que todos os corpos celestes estão sujeitos, cujos padrões regulares de deslocamento no espaço seguem incessantes pela eternidade?
Por trás das “loucuras” de que acusam os livres, escondem-se as mais cruas verdades. Abrace o mistério e siga escrevendo.

segunda-feira, março 17, 2025

Ajuste sua bússola

Experimente desviar o olhar que busca lá fora um sentido para o que sente dentro de você e, simplesmente, abrir os olhos para enxergar a situação em si mesmo, a partir do seu espaço interior. Então, você começará a se questionar sobre a tendência "natural" de seus pensamentos ao pessimismo, à sensação de vazio diante das coisas que não dão certo.

Seguindo esse raciocínio, você ajustará sua bússola interna rumo ao verdadeiro sentido que o move: o espaço de si mesmo. Se as velas de sua nau forem posicionadas e impulsionadas pelo vento interno, o caminho se revelará em propósito. Isso não significa que tempestades não serão enfrentadas, pois, assim como o bom tempo, elas fazem parte da vida e do existir.