segunda-feira, março 17, 2025

Raridade

Raridade é afeto genuíno, 
aquele que não se resume a palavras
e habita o coração. 


sexta-feira, março 14, 2025

O verbo

Desvia meus olhos da ilusão do olhar, mira-os na profundidade do verbo ver, para que eu possa enxergar.


quarta-feira, março 12, 2025

Travessia à espreita da morte e das sombras

Do alto de sua insignificância, ele caminha a passos largos,

eternamente ameaçado,
armado até os dentes,
infinitamente inseguro.

Acredita-se à frente,
como se soubesse o amanhã.

O ego.
A persona.
Espelho convexo, projetando para o exterior imagens virtuais e distorcidas.

Mente ácida, de efeito corrosivo sobre sua superfície, sobre sua realidade.

Sua rota bélica lhe impõe um destino inevitável:
o confronto com Ele, o desconhecido.

O ego, sob a sola do sapato que o esmaga contra o cimento da realidade, agoniza.

Sob o peso de sua miséria, tal qual um inseto pisado,
levanta em vão uma questão que parece espremê-lo ainda mais contra a dureza do chão que o suporta e o sufoca:

De quem são os pés que lhe impõem a verdade, que lhe extraem o sangue e o último suspiro de morte?

terça-feira, março 11, 2025

Legado

Tudo o que somos hoje foi construído em algum momento do espaço-tempo; suas raízes estão em nossos ancestrais e nos alcançam por meio de nossa linhagem.
Que a memória de meus antepassados seja honrada através dos tempos. Que todas as gerações sejam abençoadas, com gratidão, pela história que ajudaram a construir.

domingo, março 09, 2025

Raízes antes de Marés

Percorre tu mesmo o teu próprio chão, 
revolve a tua terra, 
passa o arado, 
planta a semente 
e só então deságua no oceano de outras almas.


sexta-feira, março 07, 2025

Esboço de mim

Eu sou um desenho, um traço inacabado.
O ego é isso: um esboço, uma ilusão.
Vou me dobrando para me adaptar.
Autotransformação dói.
Me rasgo, me curvo.
Me reconfiguro, me reconstruo.
Realizo mais um voo em direção a mim mesma. Expurgo demônios.  

segunda-feira, março 03, 2025

Escrever

Escrever não é um monólogo, mas um diálogo com todos aqueles que já abracei, de quem me despedi, com quem me reencontrei e por quem me encantei.

Eles e eu, que me afirmo sendo um, somos mais que uma unidade; somos um coletivo de meus próprios eus espalhados pelo tempo e espaço.

Travamos longas discussões sobre o que se foi, tecendo comentários parciais sobre o passado, prevendo cenários do futuro e entretendo-nos com curiosidades superficiais.

Nós, como infinitos personagens que somos, gargalhamos das histórias narradas diante do espelho da vida.

O mundo aqui dentro é vasto e rico, muito além do mundo exterior, que costumamos priorizar além da conta.