quarta-feira, fevereiro 05, 2025
A linguagem do coração
terça-feira, fevereiro 04, 2025
Tempestade
Porque aqui dentro existe um turbilhão de ideias.
Sinto a tempestade se formando,
o céu escurece,
a pressão atmosférica chega ao ponto de ebulição.
Não engula.
Afine sua garganta para deixar explodir o grito que você não deu.
As comportas estão cheias.
Deixe transbordar, ou vão estourar.
As águas precisam correr para regar os campos que secaram.
Deixe passar e arrastar todo o entulho e acúmulo.
Deixe levar. Não olhe para trás.
Não espere por nada.
Siga o fluxo e a força da natureza interna que se acumulou.
Este não é o fim, nem o começo, mas o processo.
domingo, fevereiro 02, 2025
Aceite
Aceite o dom de seus versos e, assim, os poetas os sentirão.
Deixe emergir à tona o seu mais profundo suspiro.
quarta-feira, janeiro 15, 2025
A escolha de ser
Escolho meus pés para me conduzirem pelo caminho.
Escolho minhas pernas para me mover pelos espaços que decidir explorar.
Escolho meus olhos para enxergar além e acima dos cenários que decidir visitar.
Escolho minha boca para proclamar as vitórias e verdades que preciso viver.
Escolho meu corpo como guia pelos caminhos onde posso crescer e florescer.
Escolho minha consciência para iluminar a jornada rumo à expansão.
Escolho acreditar, pedir e confiar em meus instintos e intuições.
quinta-feira, dezembro 19, 2024
Predador
Você olha para sua sombra projetada lá fora, e ela ri da sua cara todas as vezes que você tenta controlar o que quer que seja, em uma ação desesperada para conter seu próprio caos interno. Diante desse riso metálico e diabólico, seu espírito se apequena cada vez mais, como um coelho assustado que projeta uma imagem pretensiosa e fraudulenta de si mesmo. É como um caçador que persegue uma presa em um looping eterno: meramente um cão correndo atrás do próprio rabo, um predador que consome a si mesmo em uma fuga e perseguição incessante de vários aspectos descontrolados de sua psique.
Ele representa uma fraude,
vencendo batalhas inglórias em sua mente fraca e adoecida — um verdadeiro
impostor. Nas camadas mais profundas do seu inconsciente, corre um rio poluído
e estancado pela resistência imposta por crenças há muito tempo inúteis. Todos
aqueles que repetem as mesmas histórias que as suas o incomodam porque refletem
aquilo que o habita e que você não aceita. Um dedo apontado para fora é um dedo
apontado para o espelho; um golpe desferido na vítima é um golpe sobre si
mesmo.
Que espírito miserável é esse que
vaga nas sombras de suas tormentas internas? Falta-lhe o silêncio aterrador em
meio aos gritos e gemidos de dor que ele insiste em imputar aos outros. Essa
punição e tortura nada mais são do que o reflexo de seu mundo interior: frágil
e vulnerável.
segunda-feira, dezembro 02, 2024
Substância primordial
Não existe uma ideia completamente sua, pois as ideias têm vida própria em um lugar onde se concentram todos os arquivos possíveis, além do espaço-tempo. Elas habitam um espaço aberto e acessível a qualquer um que seja capaz de alcançá-las. A partir desse ponto, tocadas pela mente, viajam através do mundo interno da psique que as acolhe e revelam apenas aquilo que o consciente em questão pode absorver, expressando-se e tomando forma no mundo material dentro dos limites das crenças e valores do intelecto que lhes dá vida.
Assim ocorre o nascimento de uma nova ideia: ela provém do encontro entre o inconsciente e o consciente, que dá origem a uma substância etérea capaz de nos impulsionar pelos trilhos da história humana e universal. Para cada ser que a concebe, a ideia traz consigo uma essência única e original, derivada da união entre luz e sombras.
domingo, novembro 24, 2024
Alma
A alma tem uma forma diferente e sutil de se comunicar com o corpo. Em um movimento quase involuntário, voltei-me para dentro de mim mesma e comecei a destrinchar quais seriam os grandes propósitos que me guiam pela vida e como eles se manifestam por meio da minha postura diante das coisas. Como um explorador de si mesmo, busquei entender o que me moldou a ser quem sou e o que me move a agir como ajo no mundo exterior.
Mergulhei, tal qual uma forasteira em terras estrangeiras, abrindo cômodos escuros e esquecidos do meu inconsciente. Parecia uma terra de ninguém. Grande parte do trajeto permanecia tomado pelas trevas, pelo silêncio e por sobressaltos diante do desconhecido.
Fui me aproximando, cada vez mais, de um espelho embaçado, de um ambiente úmido e ocre, de águas turvas. Essa postura austera, arredia, de pelos eriçados diante das ameaças externas — que me parecia tão dura e por vezes desnecessária — revelou-me sua verdadeira natureza, sua origem e seus porquês. Era uma alma muito antiga que havia passado por inúmeras experiências, vergado sob incontáveis ilusões, acreditado e defendido tantas causas perdidas que não eram as suas próprias.
Essa alma estava cansada de girar em círculos e de se deixar levar para longe de si mesma. Decidiu, então, se aproximar do corpo, de modo a poder se comunicar com ele sempre que sentisse necessidade de seguir adiante, sem mais se deixar levar pelas utopias e quimeras da vida. Foi assim que ela ergueu um sistema de defesa: um “muro emocional” carregado pelas energias de experiências remotas. Esse muro tornou o corpo intuitivo, alerta e cauteloso diante de ameaças que poderiam mais uma vez distraí-la no caminho de volta para casa.
Esse muro impediu que o rumo se perdesse diante de cada vitrine colorida que surgisse. Afinal, os olhos já estavam calejados por tantas luzes usadas para desfocar a visão de longo alcance.
A alma enxerga tão longe que a
consciência mal consegue acompanhar. Ela mira com tamanha precisão que a razão
não saberia explicar. Sua paciência parece infinita diante de tantas fantasias.
Resiliente, ela espera. Mas ela também urge e move involuntariamente o corpo,
que, aos poucos, se deixa levar de volta para casa.