sábado, fevereiro 28, 2009
Arranhando paredes
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Remador
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Senhoras Vaidosas
terça-feira, janeiro 06, 2009
Sabe...
Ah você sabe... Mas não me diz nada
Sabe dos males que sofro
Dos segredos que guardo
Das palavras que calo
Das coisas que falo
Dos dedos que estalo
Das pernas que agito
Dos olhos que fitam
Dos sorrisos que dou
Dos abraços que troco
Do tango que toco
Das críticas leves
Das piadas alegres
De como me sinto
Sabe o quão distante estou
Sabe de quando estou aqui
De quando falo, me expresso, me exalto
E sabe que até pareço gente
Sabe que sou gente. Sou não sou?
E você sabe como é o meu jeito
Sabe que ele não agrada muito
Sabe que não é doce é desconfortável
Este jeito não está certo, não pode estar certo
Isso não é jeito, é mais um desajeito
Um jeito sem jeito
Sabe que não estou certa
Mas se não estou certa...
Então onde estou?
No preto ou no branco
Em cinza ou vermelho
Você sabe de tudo
Sabe...
Seja lá quem você for, seja lá onde estiver
Você é um maldito que sempre sabe mais e mais e mais sobre cada vez menos e menos e menos...
Tem cheiro de fogo
Frescor de sorvete
Tudo tão bonito
Elogios soam estranhos
Desconsertam
Mas a realidade é mui crua
Um vexame, um glamour
Você não sabe de nada
Nem sequer me conhece.
domingo, dezembro 28, 2008
Infinito
O melhor da vida são viagens mal sucedidas
Noites mal dormidas
Momentos sós e particulares
Dias angustiados, calados, aluados
Deles reflete o sol, o ápice da luz
Deles dias e noites são sentidos aguçados
Levo-os para longe, mas logo os trago de volta,
Deles preciso beber
Sorver o veneno, absorver a cura
Até que cessem os sete fogos
Assim, ao por do sol em brinde aos aspirantes
Exasperado anoitecer me leva numa valsa lenta
Rodopiando-me desesperadamente ao redor de sua órbita
Estrelas terríveis no céu se movem junto à dança
E fazem-se assombrosas constelações, chorando âmbar celeste
Ah se meus pés pudessem aferrar-se ao solo e se aquietar por um instante
Seriam eles escravos desta terra já de longe corrompida
A mente derrama do corpo, por certo assoberbados
Juntam-se a revelar a tormenta desta alma
Um manifesto
Um motim
Fatigados pela vigília
Cruzando sombras indubitáveis
Fazem-se luz! Mais pura luz!
Muito além da tristeza, da felicidade ou saciedade
Duradouro extenso sol
Reinado em manto negro
Infinitos pontos lúcidos, lúdicos, luminosos
Perene lúmen
Império transcendente
Sim sou eu
Que não sei equilibrar, sou eu...
Nem luz nem trevas, nem presença nem ausência.
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Pingo
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Frutas de cera
Hoje passei por aí, e foi ali que as vi.
Tão lindas, tão lisas...
Brilhavam, pequenas e indefesas, numa peça de cristal.
Perfeitamente redondas, desenhadas para seduzir.
Ofereciam-se por um preço qualquer – não importa.
Objeto de desejo, entregues à vontade alheia.
Frutas de cera, delicadamente pousadas sobre o móvel, imóveis à espera de qualquer um que lhes pague o preço.
Enchem-me os olhos vê-las assim, tão disponíveis, ao meu alcance...
Poder tocá-las, cheirá-las...
Não se trata de um desejo pelo original, e sim de uma vontade pela réplica.
O que me fascina é sua artificialidade óbvia, de valor superior ao do original.
No ápice, sua existência não importa mais do que a vontade de tê-las.
Não me dou ao luxo de justificá-las; não há dúvidas de que são o que preciso.
São o que preciso ter...
São o que quero ter...
Sobre um móvel, imóveis a me esperar.