segunda-feira, janeiro 12, 2026
Pés descalços no Chão
domingo, janeiro 11, 2026
A Morada do símbolo
sábado, janeiro 10, 2026
Afinidade em notas silenciosas
sexta-feira, janeiro 09, 2026
Silêncio do intervalo
quinta-feira, janeiro 08, 2026
Luzes acesas
o que vibra em afinidade,
afinando os instrumentos.
O que me acompanha
não é o conflito,
mas o que ainda é vivo
e possível.
Abrigo
o que faz sentido preservar.
O restante fica.
Sem ataque.
Sem acerto de contas.
Atravesso o rio
e agora vejo a margem
a partir deste novo ângulo,
à distância.
Apenas observo,
sem precisar agir sobre.
Não é preciso interferir
para não ferir,
apenas seguir.
O mapa está iluminado,
posso enxergar
o arranjo musical
e ouvir
a orquestra tocar.
Cada personagem
tem seu instrumento,
cada som
tem sua função.
Acendo as luzes de casa,
deixo-as acesas
para que àqueles
que caminham lá fora
possam ver
e sentir o conforto
que um dia senti
ao vê-las de longe,
na escuridão
e no silêncio da noite.
O silêncio de fundo
acolhe a música
que segue a tocar.
Mantenho as luzes acesas,
iluminando
a orquestra
que se apresenta.
O propósito é o mesmo
para todos;
o que muda
para cada um
é a forma
de chegar a ele.
quarta-feira, janeiro 07, 2026
A caminho de casa
terça-feira, janeiro 06, 2026
Afinidade
segunda-feira, janeiro 05, 2026
A Criação de Deus
sustentando-se apenas
pelo gesto de juntar as mãos.
Vertia fé
e sofrimento.
Quem sabe pedisse um milagre.
Ele emanava
entrega,
tristeza,
vulnerabilidade.
Aquilo me tocou.
Comecei a chorar
sem saber por quê.
Chorei o meu choro
e o choro dele.
Minha mãe não entendeu.
Eu também não soube explicar.
Apenas senti.
Levantei
e saí da igreja
para esconder a dor
que sentia
por ele.
Sempre fui tomada
pela condição humana.
Pelo estado de espírito
que não se delega.
Deus me alcança
pela criação.
Venho Dele
e dela sou parte.
Realizo-me
na existência,
na experiência
de ser
aquilo que sou.
domingo, janeiro 04, 2026
O poder que emana do amor e não da dor
sábado, janeiro 03, 2026
Tríade Silenciosa
sexta-feira, janeiro 02, 2026
Fermentação
quinta-feira, janeiro 01, 2026
Aforismo Ósseo
em consonância com meu estado bruto em refino,
podem ver-me até o osso.
Quem vê até o osso
não vê forma nem ornamento.
Vê estrutura viva.
O osso sustenta,
delimita,
dá contorno.
Me permite ficar em pé.
O esqueleto representa
a estrutura essencial
que sustenta o corpo em eixo.
É duro,
mas não maciço.
É poroso,
atravessado por espaços,
canais,
medula.
É justamente essa porosidade
que o torna vivo.
Um osso totalmente rígido,
compacto,
morto,
quebra com facilidade.
Um osso vivo absorve o impacto.
O abalo passa por ele,
mas não o destrói.
Isso não significa
que seja infalível.
A porosidade é a alma do osso.
É corpo instintivo.
É verdade que circula.
É o que permite troca,
respiração,
regeneração.
É ali que o sangue se forma.
É ali que a vida nasce.
A forma externa
e a função vital
não estão separadas.
A forma também guarda,
organiza,
sustenta
o que está oculto.
Osso vivo.
Firme o bastante
para sustentar.
Poroso o suficiente
para não morrer.
A estrutura não endurece
nem fecha o contato.
Ela circula.
Assim o corpo confia.
O mundo não assusta.
E o abalo ensina
que a casa
pode ser habitada.
Quando me mostro até o osso,
não me exponho.
Me sustento.
quarta-feira, dezembro 31, 2025
Usuários
terça-feira, dezembro 30, 2025
Barqueiro
segunda-feira, dezembro 29, 2025
Nuvens passageiras
domingo, dezembro 28, 2025
Chão da Vida
Certo dia, eu e meu primo decidimos dar nome às formas que víamos refletidas nas nuvens. Apontávamos cavalos, elefantes, macacos, martelos, rostos, carros, dando sentido e resposta ao que não pedia resposta. Mais tarde, passamos a nos questionar sobre as nuvens no céu: como se formavam, como se precipitavam em chuva, o porquê de suas cores variadas.
Nossas mentes voaram longe com as nuvens que almejávamos decifrar. Os pensamentos eram pipas dançando no vento, pedindo linha e mais linha, subindo cada vez mais alto.
Alcei voos tão altos que quase não conseguia mais descer das alturas de onde falam os símbolos e as buscas. Meu corpo permanecia deitado no chão, enquanto minha mente subia ao céu em direção ao espaço sideral.
Estrelas, astros e corpos celestes me convocaram acima do solo onde jaziam meus semelhantes, tripulantes desta nave Terra. Minha nave orbitou espaços distantes, mundos estrangeiros, mistérios insondáveis, enquanto meu corpo permanecia em terra, esperando o pouso.
Esperei até que se esgotassem os limites do explorável. Deixei minha mente voar até encontrar os sentidos que a fizessem retornar para casa. Quando voltei, senti-me deslocada, como alguém que, após longa ausência, experimenta o desnorteio do pouso: os pés inseguros, como se tivessem esquecido a sensação do corpo no chão.
Assim se desenhou a trajetória de uma nave, de um navio que navegou o coletivo de todas as coisas alienígenas e nativas que nos situam na humanidade e para além dela. Voltar ao estado de origem revelou-se também uma jornada distante para dentro de mim.
A mente escapou, mas agora quer voltar. E o corpo, tudo o que ele pede é presença. Depois de ver o céu, a vida pede chão.
sábado, dezembro 27, 2025
Gato Limiar
sem se perder.
sexta-feira, dezembro 26, 2025
Compasso interior
quinta-feira, dezembro 25, 2025
O Cristo que me habita
quarta-feira, dezembro 24, 2025
Palitos Gina
Palitos são o que há de mais essencial em celebrações.
terça-feira, dezembro 23, 2025
Manifesto íntimo do olhar
segunda-feira, dezembro 22, 2025
Inanimado
domingo, dezembro 21, 2025
Cronos
sábado, dezembro 20, 2025
Caminhe até Ele
A maior conexão com Deus, ou com a ideia do transcendente, não se dá confiando em uma ajuda externa superior, mas contando consigo mesmo. Sustentar-se é aproximar-se. Quando se espera, se distancia.
Para isso é preciso crescer,
deixar a infância, soltar o papel da criança que aguarda pelo pai, chorando por
salvação. Não espere que Ele venha; caminhe até Ele.
O transcendente não é alcançado
pela dependência, mas pela autonomia. Isso não nos enfraquece; nos fortalece.
Experimente não implorar que Ele
realize seus desejos, mas adquirir força para atingir o que for possível e
desenvolver discernimento para enxergar o melhor caminho. O maior presente não
é aquele que se ganha, mas a presença que se mantém no presente.
sexta-feira, dezembro 19, 2025
Suspensão
Ao fim da tarde, uma sensação de cansaço repentino pousou sobre mim. Não era desânimo, tristeza ou desesperança, nada que pudesse ser nomeado ou diagnosticado.
O rosto miúdo, pousado sobre as mãos em concha em busca de
sossego, reflete uma exaustão interna de tudo o que se foi e agora retorna
lentamente para dentro.
O efeito anestésico cessou. Restou um reconhecimento ainda
confuso entre vislumbre e desorientação, como um braço que acorda formigando,
incapaz de se mover. Fico à soleira, pés ainda descalços, reconhecendo o chão
antes de atravessar.
Nem tudo o que vejo precisa ser dito; às vezes, só preciso
repousar. Sustentar a percepção num corpo sem chão, avançando sobre um novo
espaço.
Suspensão: após espalhar fragmentos meus porta afora, como
um espirro do espírito a expulsar algo que irrita as vias do respiro, partes
minhas que considerei ameaça agora batem à porta, querendo retornar à casa.
Muitos deles calei, tapei-lhes a boca num impulso de medo do
que poderiam dizer. Outros feri ao fingir que não existiam. Quebrei-os,
caminhei sobre seus cacos, feri os pés. Juntos sangramos, como se a indiferença
não deixasse cicatrizes.
Eu, que também existo, desejo ouvir, dialogar, receber,
reconhecê-los como parentes distantes que retornam após longa ausência,
trazendo histórias e aventuras remotas, incendiando-me o coração com
curiosidades diversas.