quinta-feira, dezembro 04, 2025
Campo Sem Caça
quarta-feira, dezembro 03, 2025
O cortejo do homem inferior à alma
O homem se
aproxima.
terça-feira, dezembro 02, 2025
A Árvore da Vida
segunda-feira, dezembro 01, 2025
Minha vida sem plateia
sábado, novembro 29, 2025
Verdadeiro Norte
terça-feira, novembro 25, 2025
Marina
domingo, novembro 23, 2025
Sol do Meio-dia
sexta-feira, novembro 21, 2025
Aproximação
segunda-feira, novembro 17, 2025
AI – Autenticidade Inerente
domingo, novembro 16, 2025
A arte de se conduzir
sábado, novembro 15, 2025
A Caminho de Casa
Por anos, inúmeros personagens dançaram em um baile de máscaras.
E, por trás delas, havia um ser desejoso de ser visto e reconhecido.
Buscou incessantemente a aprovação alheia.
Subiu montes para ser lembrado.
Foi notado, mas ao custo do esquecimento de si mesmo.
Agora se pergunta pelo sentido.
A própria palavra sentido fala da permissão de sentir.
Mas, ao tocá-la, encontrou um vazio silencioso.
E então, os olhos que tanto procuraram outros olhos
voltam-se para dentro.
Lançam suas flechas contra os próprios portões fechados,
tentando enxergar, através do espelho do outro,
a si mesmo como nunca antes ousou ver.
Deixo de viver no exílio de mim, como estrangeira em território alheio,
terça-feira, novembro 11, 2025
A Porta Azul
Certo dia, estava eu a vagar pela estação subterrânea de metrô em meu sonho, um lugar escuro, opaco. O ruído metálico do atrito dos freios dos vagões com os trilhos zumbia uma canção pós-moderna do cotidiano.
À frente, vi uma porta de cor azul profundo. Em busca de ar, de um sopro de leveza, abri-a de uma só vez: um mundo se revelou luminoso do outro lado, uma paisagem ao entardecer, com folhas de outono em tons avermelhados.
Diante de mim havia uma pequena árvore, com o tronco caído ao chão, voltada para um lago cristalino. Nele estava sentado um rapaz branco, de cabelos e barba ruivos, usando um chapéu de palha.
Toda a cena era uma pintura a óleo, com leves movimentos do soprar do vento, como pinceladas vivas. Ele era Van Gogh, e eu o admirava de longe, aquele homem cujos olhos se perdiam no horizonte da tela de sua própria pintura.
Um arquétipo sublime do inconsciente coletivo adentrou meu espaço psíquico pessoal para me lembrar da beleza do mundo.
Deixei meus estágios psíquicos moverem-se naturalmente, feito placas tectônicas que se ajustam ao movimento da Terra, e mergulhei para despertar de um sono profundo, como um artista que contempla a própria criação e nela se revela.
sábado, novembro 08, 2025
Eterna brevidade
quinta-feira, novembro 06, 2025
O exílio de si
Por muito tempo, virei o rosto
para não vê-la. Acreditava que ignorar minha sombra me afastaria do que havia
de mais incômodo em mim e me aproximaria da imagem ideal que eu criara de mim
mesma. Mas quanto mais a evitava, mais ela se fazia presente nas bordas das
minhas atitudes, nas reações desmedidas, nas relações que terminavam em ruína.
A sombra não desaparece com o olhar desviado; apenas muda de forma, camufla-se
nos outros e retorna a mim através da projeção.
Ela é a porção exilada da alma, o
estrangeiro interno que se sente deslocado e busca incessantemente um lugar de
pertencimento. É o arquétipo do que foi banido e clama por reintegração. Em sua
face humana, manifesta-se como insegurança, orgulho, raiva ou medo. Na
tentativa de não ser ferido, o indivíduo dominado por sua sombra destrói o
vínculo antes que o outro o faça. Crê estar se defendendo, mas apenas perpetua
o exílio.
Esse movimento é universal. Todos
nós, em algum grau, repetimos o gesto ancestral de afastar o que não queremos
reconhecer. O arquétipo da sombra surge, então, como o guardião das partes
esquecidas, aquele que preserva, em silêncio, o que a consciência não suportou
acolher. Ele contém a energia vital que a repressão desviou. Integrá-lo não é
ceder à escuridão, mas recuperar a totalidade perdida.
Quando projetada, a sombra se
reflete nos outros. Enxergamos neles os aspectos de nós mesmos que tememos
admitir. Por isso o mundo parece povoado de espelhos. O inimigo, o rival, o
estranho — todos podem carregar, invisivelmente, fragmentos da nossa própria
psique. Reconhecer isso exige coragem, pois implica abandonar a ilusão da
pureza e aceitar que luz e sombra coexistem em toda alma humana.
Ao voltar-me para dentro,
compreendo que julgar-me desconexa é condenar-me ao exílio de mim mesma.
Acolher a sombra é recolher o que foi disperso. Quando essa força é
reconhecida, deixa de incendiar os lugares e passa a iluminar caminhos. Sua
energia, antes destrutiva, torna-se criadora. O arquétipo, reconciliado,
converte-se em fonte de poder interior e sabedoria.
A viagem mais difícil é sempre a
que fazemos para dentro. É nela que atravessamos o território simbólico onde o
inconsciente fala por imagens e onde cada ser humano reencontra os próprios
opostos. Ao fim dessa travessia, compreendemos que a sombra não é inimiga, mas
guardiã do que fomos obrigados a abandonar. Integrá-la é o início do retorno ao
lar interior, o lugar onde a alma deixa de errar no escuro e enfim se reconhece
inteira.
quarta-feira, novembro 05, 2025
O abraço das palavras
sábado, outubro 18, 2025
O mistério da própria alma
Você está disposto a ser a versão de si mesmo que é, sem se ajustar ao outro ou aos ideais impostos?
O eu que quer nascer pode ser
amado ou odiado. Se você o rejeita por medo antes mesmo de conhecê-lo, nunca
saberá.
Pode amar uma criatura em
gestação dentro de si, desconhecida, que precisa do seu afeto sem garantias,
para que dela nasça um novo ser, parte de você?
Pode oferecer amor incondicional
ou só amará sob condições?
O desejo de ser aceita,
reconhecida, não vem da necessidade de se aceitar, se escolher e se reconhecer
como valiosa?
Sou responsável por me aceitar.
Não aceite menos do que merece e dê o máximo que puder.
A alma gesta um novo modo de ser,
mais inteiro, mais conectado ao próprio instinto. O embrião psíquico se nutre
no silêncio e na discrição, para que não seja abortado pela crítica, pelo medo
ou pela razão excessiva de padrões impostos.
Você é capaz de amar um ser que
ainda não conhece?
terça-feira, outubro 14, 2025
O incognoscível
segunda-feira, outubro 13, 2025
Não retorne à cidade fantasma
sábado, outubro 11, 2025
O experimento
sexta-feira, outubro 10, 2025
Exílio
terça-feira, outubro 07, 2025
Mesmo lugar
segunda-feira, outubro 06, 2025
Um Leão por dia
sexta-feira, outubro 03, 2025
Proteja seu cavalo e suba com ele
quinta-feira, outubro 02, 2025
Projeção
Infinito
segunda-feira, setembro 29, 2025
Oscilação
quinta-feira, setembro 25, 2025
Rumo a Deus Sabe o Quê
não ditas,
não lidas,
para assegurar que estive aqui:
neste mundo,
neste tempo,
Como pegadas,
uma marca de que eu,
assim como qualquer um,
quem quer que seja,
fiz parte desta civilização,
desta humanidade.
Envolvi-me no coletivo das ideias,
dos fatos;
em meio aos acontecimentos,
eu também vivi
nesta incógnita que fui
e presenciei.
Devo dizer que busquei
incessantemente algo
que preenchesse o vazio
que engole todas as coisas ao redor.
Nele, me enredei
da superfície até o fundo;
na escuridão, forcei a vista
em busca de uma luz
que desesperadamente aspirei,
que me esclarecesse,
quem sabe me guiasse
rumo a Deus sabe o quê.
terça-feira, setembro 23, 2025
Para além de Sísifo
Nessa vida movida por clamores e expectativas, aquieto-me em busca de uma guia interna em quem possa confiar intimamente. Peço que me seja concedido discernimento diante das circunstâncias externas, para que eu possa optar pelo caminho além do cume de Sísifo — deixar rolar o peso da pedra, libertar-me da sobrecarga.
O ser humano tem trabalhado
inutilmente em busca de controle sobre o fluxo natural da vida. Empenha grande
esforço nisso, quando, na verdade, esse fluxo é incontrolável e está além de
sua capacidade. Por simplesmente não aceitar seu destino, o homem busca
redefini-lo de acordo com suas próprias vontades e permanece eternamente em um
esforço vão, o qual não pode evitar, por não conseguir abrir mão de seus
desejos, que o mantêm preso à ilusão de controle. Se o homem fosse capaz de
deixar ir suas vontades, poderia crescer exponencialmente, impulsionado pelo
fluxo natural.
Por mais vulnerável que esteja,
um caolho ainda pode ver e um manco ainda pode andar. Mesmo feridos e
quebrados, podemos seguir nosso caminho.
O mesmo vale quando nos sentimos
fortes e poderosos; ainda assim, nossa capacidade depende de fatores externos,
dos quais dependemos para expandir-nos e nos sustentar.